António Veloso. Indiscutivelmente o último grande lateral-direito do Benfica. Dono daquela faixa por 15 épocas (sete delas como capitão), nunca encontrou um adversário que o batesse por mais veloz que fosse, mesmo quando entrou na casa dos trinta anos. Célebre aquele despique com o Speedy González colombiano Asprilla num Benfica-Parma para as meias finais da Taça das Taças, em 1994.

Nascido e criado em São João da Madeira, aos 16 anos largou o emprego numa fábrica de calçado, onde trabalhava desde os 11 anos, para se dedicar de corpo e alma ao futebol. Dos juniores do Sanjoanense passou para o Beira Mar, onde se manteve por quatro anos. Em 1980, com 23 anos, foi contactado por FC Porto, Sporting e Benfica, por esta ordem. Escolheu o Benfica. Daí para a frente, fez-se a história de um jogador útil e sempre reconhecido pelos adeptos e imprensa. E nem aquele penálti falhado na final da Taça dos Campeões, com o PSV Eindhoven, resfriou essa relação. Sempre com um estilo calmo, Veloso abandonou a carreira aos 38 anos, em 1995, e arrastou consigo uma credibilidade ímpar e o recorde de jogos nas competições europeias (77), entretanto batido por Figo. Em matéria de títulos: sete campeonatos, seis Taças de Portugal e duas Supertaças portuguesas.

Luisão, o pentcampeão transatlântico

Sete campeonatos? Uau. É ele mesmo, Veloso. Nunca mais se repetiu. Sete é dose. E seis? Também não. E cinco? Agora sim, gotcha: Luisão é o cara. Um milhão de euros e tal. Pronto, 1,2 milhões de euros. É o valor de Luisão em Agosto de 2003, quando o Benfica vai buscá-lo ao histórico Cruzeiro da Tríplice Coroa (campeão mineiro e brasileiro mais vencedor da Taça do Brasil).

O central aterra em Lisboa e só se estreia em Setembro, no dia 14. De lá para cá, Luisão faz-se jogador e depois capitão. Pelo meio, levanta umas quantas taças. Quinze para ser mais preciso (cinco campeonatos, duas Taças de Portugal, seis Taças da Liga e duas Supertaças portuguesas). É hoje suplente de Rui Vitória, o seu sétimo treinador na Luz. O primeiro é…

Camacho, José Antonio Camacho. O espanhol lança-o no tal dia 14, com o Belenenses de Manuel José, no Jamor, para a quarta jornada do campeonato. O onze é Moreira; Miguel, Argel, Luisão e Ricardo Rocha; Tiago e Petit; João Pereira e Alex; Sokota e Fehér. O resultado é um dececionante 3-3, com Luisão a assinar o 3-1 aos 87 minutos, na recarga a uma defesa incompleta de Marco Aurélio a desvio ao primeiro poste de Tiago. Happy end? Nem por isso, já aí a tendência benfiquista para sofrer golos para lá da hora, através de Sané (90’+1) e Leonardo (90’+4).

O que muda desse 14 de Setembro de 2003 até hoje? Tanta coisa. No Benfica, o único sobrevivente é o próprio Luisão – nos outros dois grandes, nem um para amostra e só Helton (então na União de Leiria) está aí para as curvas. Na liga, redução de 18 para 16 equipas e adeus aos históricos Estrela, U. Leiria e Alverca. Concentremo-nos em Luisão, o homem dos três golos (dois vs. Argentina) em 43 internacionalizações pelo Brasil (capitão vs. Paraguai na Copa América-2004), com dois Mundiais nas pernas mas sem qualquer minuto de utilização (2006 e 2010).

No Benfica, é conhecido por marcar golos em duas noites especiais, com Sporting em 2005 e Liverpool em 2006, como resposta aos dificílimos primeiros tempos em Lisboa, onde uma lesão o obriga a estar parado mais do que deve. Luisão contrai uma pequena microrrotura e o departamento médico do Benfica dá-lhe três semanas de baixa – que se prolongam por dois meses e meio, culpa de uma cárie dentária que atrasa a cicatrização da microrrotura. Só regressaria aos relvados em Dezembro. Daí em diante, é sempre a abrir num percurso também pincelado pela polémica como o bate-boca com Katsouranis a meio do jogo de campeonato com o Vitória no Bonfim (Janeiro-2008), o chega para lá ao árbitro alemão Christian Fischer durante o particular com o Fortuna Düsseldorf (Agosto-2011) e mais uns quantos desentendimentos com os adeptos do próprio Benfica, o último dos quais no esforçado 2-1 ao Gil Vicente em 2013.
Aos 35 anos de idade, Luisão vive o sonho do penta. O primeiro pós-Veloso em 88-89. E é Luisão quem levanta a taça, a terceira vez como capitão. Neste ranking de capitães-campeões, quem é o rei? João Pinto. O do FC Porto, óbvio. O lateral-direito é hexa. Coluna é penta, como Pedro Emanuel. E tetras? Só um, Jorge Costa. E tri? Gustavo Teixeira (Benfica-38), Álvaro Cardoso (Sporting-48), Azevedo (Sporting-52), António Simões (Benfica-73), José Carlos (Sporting-74), Toni (Benfica-77) e Gomes (FC Porto-88). Agora, incluam aí Luisão sff.