A administração do BPI considera que a oferta pública de aquisição (OPA) lançada pelo CaixaBank é “oportuna”, de acordo com um documento publicado no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), mas o preço oferecido, de 1.113 euros por ação, é tido como baixo. Nos cálculos efetuados pelo BPI, a avaliação do banco corresponde a um preço por título de 1,54 euros.

Os responsáveis da instituição que é alvo da operação justificam a posição assumida tendo em conta “a circunstância de a aquisição do controlo do BPI pelo Oferente criar um quadro que aumenta o leque de alternativas para solucionar o atual incumprimento pelo BPI do limite dos grandes riscos causado pela exposição do BFA [Banco de Fomento Angola] a dívida pública angolana”.

Depois do fracasso na tentativa de encontrar um acordo entre Isabel dos Santos e o acionista espanhol, que seria o “plano A” para o BPI responder às exigências do Banco Central Europeu (BCE) de redução da exposição ao mercado angolano, os gestores do banco afirmam que “seria muito positivo para o BPI a manutenção das suas atuais participações no BFA e no BCI, objetivo que a consolidação referida poderá tornar possível”. Um entendimento entre a empresária angolana e o CaixaBank pressupunha que o BPI alienaria a posição de que é detentor no BFA em favor de Isabel dos Santos, enquanto a líder da Santoro Finance deixaria de ser acionista do banco português.

A nota positiva dada à iniciativa do CaixaBank não se estende ao preço oferecido por cada ação do BPI no âmbito da OPA, valor que é considerado baixo. O preço proposto, de 1.113 euros, traduz-se “num desconto que oscila entre 1% e 11% relativamente às cotações médias do BPI, o que compara com prémios entre 15% e 19% nas transações precedentes no setor bancário europeu”, considera a administração liderada por Fernando Ulrich. E “os descontos implícitos na presente oferta afastam-se significativamente dos prémios das transações no setor bancário europeu, numa medida que oscila entre menos 16 pontos percentuais e menos 28 pontos percentuais”.

Já na OPA lançada no ano passado pelo CaixaBank, a equipa liderada por Fernando Ulrich tinha colocado reservas ao preço baixo oferecido aos acionistas, que, fixado em 1.32 euros por ação, era superior ao da atual oferta. Mas, entretanto, o banco perdeu valor em bolsa e sofreu com o impasse acionista em relação à solução para Angola.

Em conclusão, os responsáveis do BPI afirmam que “se o preço da oferta refletisse os prémios pagos em transações precedentes no setor bancário europeu”, o valor proposto pelo CaixaBank “atingiria” 1.404 euros, 1.427 euros, 1.463 euros ou 1.289 euros, “consoante os referidos prémios fossem aplicados sobre a cotação média das ações do BPI dos últimos dia, semana, mês ou três meses”. O documento da administração do BPI assinala, também, que os critérios do CaixaBank para justificar o preço por ação na OPA excluem o período entre 2 de março e 15 de abril.

Os gestores do BPI reconhecem, ainda assim, “que, no momento atual, a determinação de um preço para o BPI é particularmente difícil, tendo em conta alguns fatores que não tem possibilidade de quantificar”, como “a circunstância de não haver certeza quanto ao momento e termos em que o valor atribuído (…) à participação do BPI no BFA poderá ser monetizado, o facto de o setor bancário, e nessa medida, o BPI, enfrentar potenciais custos significativos com a resolução do BES e do Banif”, e o “facto de nesta data [17 de maio de 2016] não ser possível determinar o impacto dos novos ‘requisitos mínimos de fundos próprios e de passivos elegíveis (MREL)’, decorrente da entrada em vigor do Mecanismo Único de Resolução bancária da Zona Euro iniciado este ano”.

O CaixaBank detém, atualmente, 44.71% do capital social do BPI e 44,88% dos direitos de voto, já que o banco possuía mais de 5,575 milhões de ações próprias a 30 de março de 2016. No entanto, os catalães só podem votar com 20% dos direitos de voto por causa do limite imposto nos estatutos. A desblindagem dos estatutos é uma condição de sucesso da OPA sobre o BPI e desta vez o governo até já produziu legislação, o chamado diploma BPI, que permite acabar com o limite aos votos sem o acordo de Isabel dos Santos. Este diploma entra em vigor a 1 de julho.