A Revolução Cultural chinesa promovida por Mao Tsé-Tung (1966-1976) foi e tem sido um tabu nos últimos 50 anos. A data redonda foi celebrada segunda-feira, 16 de maio, em silêncio, contou o The Guardian. Não houve eventos sociais, os académicos não pensaram e analisaram a efeméride, e esperava-se que não houvesse tão pouco artigos sobre a temática na imprensa, pela pressão política e a censura brutal vivida naquele país asiático.

Mas haveria dois artigos que meteriam a mão na consciência: o jornal chinês People’s Daily escreveu esta terça-feira que o país não pode esquecer o passado, conta a Reuters. Depois, foi o Global Times a declarar que “a sociedade rejeita a Revolução Cultural”.

“Não devemos esquecer as lições da Revolução Cultural”, escreveu o People’s Daily, num editorial. “A História mostrou que a Revolução Cultural foi errada, na teoria e na prática”, pode ler-se também, aqui citado pelo The Guardian.

A Revolução Cultural nasceu para colocar um travão nos inimigos do Partido Comunista chinês, que supostamente se haviam infiltrado no mesmo, como explica mais detalhadamente o Observador neste texto. O manifesto do líder do partido, Mao Tsé-Tung, alertava para uma “ditadura da burguesia” que o quereria substituir no poder.

A fim de purificar a sociedade chinesa, através da cristalização do próprio partido, a Guarda Vermelha colocou em marcha uma campanha de terror que mataria mais de dois milhões de pessoas (diz o The Guardian, a Reuters fala em 1.5 milhões) e que deixaria marcas profundas no país. O fim da revolução coincidiria com o fim de Tsé-Tung (1976).

Um segundo texto surgiu também online, desta vez publicado no Global Times, que acusa a Revolução Cultural de ter deixado marcas permanentes em muitos chineses. “A década da calamidade causou muitos danos, deixando uma dor permanente em muitos chineses. Negar completamente os valores da Revolução Cultural ajudará a sociedade chinesa a permanecer vigilante contra o perigo de todos os tipos de desordem.” O título é elucidativo: “Sociedade rejeita firmemente a Revolução Cultural”.

“Não podemos e não iremos permitir uma repetição de um erro como a Revolução Cultural”, pode ler-se no artigo de opinião People’s Daily. O mesmo diz ainda que nem a esquerda nem a direita poderão ser associados àquele movimento para não gerar interferências. “Não podemos tomar a estrada velha e rígida nem tão pouco mudar a bandeira”, escreveu. Ou seja, o socialismo é para manter, sem esquecer a história de terror que fez agora 50 anos.