No último segmento do episódio da série de animação Os Simpsons, exibido no passado domingo nos Estados Unidos da América, Marge, Lisa e Bart anunciaram aos telespectadores que estariam a ponto de ver algo “especial”: Homer Simpson iria aparecer em direto para responder perguntas feitas por telefone e Twitter pela audiência.

Estou aqui para fazer um importante anúncio: este é o último episódio dos Simpsons, foi uma boa jornada… estou a brincar, os Simpsons nunca vão acabar. E para provar que estamos em direto, na última noite no Saturday Night Live, Drake foi péssimo”, brincou, no início da sequência.

O que se viu a seguir já entrou para a história da televisão: sentado atrás de uma mesa, Homer respondeu as dúvidas dos telespetadores, sem guião, durante cerca de três minutos.

O segmento em direto foi realizado duas vezes para respeitar o fuso horário das costa leste e oeste do país. Na costa leste, o patriarca da família Simpson teve de responder se preferia Lenny ou Carl (companheiros de bebida de Homer), qual é o seu tipo de carro e o trabalho preferido entre as várias ocupações que experimentou nas 27 temporadas da série.

Já do outro lado do país, a atualidade política não foi esquecida: quando questionado se mudaria de Springfield para o Canadá, no caso de Donald Trump se tornar Presidente dos Estados Unidos, Homer despistou o telespetador e respondeu que gosta de Bernie Sanders.

Enquanto Homer comunicava com a audiência, as personagens da série, desenhadas anteriormente, iam aparecendo no ecrã: Bartie, Maggie, Senhor Burns e Ned Flanders. Houve, inclusive, espaço para Bender, da série Futurama, fazer uma breve aparição com um cartaz onde se lia “Tragam Futurama de volta… de novo”.

Realizar em direto um programa de ficção não é novidade na televisão americana. Séries como ER, The West Wing, Will and Grance e 30 Rock já haviam feito a experiência. Esta foi, no entanto, a primeira vez que uma série de animação utilizou esta técnica, graças a uma “tecnologia aprimorada de captura de movimento”, explicou o produtor executivo dos Simpsons, Al Jean, em entrevista à Entertainment Weekly. “Quando você faz um programa como este com tantos recursos a serem utilizados, temos de usar esta vantagem para fazer coisas interessantes, porque podemos”, justificou.

Segundo explica a revista Digital Arts, a sequência de três minutos foi feita através de ferramenta Character Animator da Adobe, em conjunto com o software After Effects. Juntos, mapearam movimentos faciais subtis e ações “mais exageradas”, descreve a publicação. No caso dos Simpsons, a equipa técnica trabalhou com o ator Dan Castellaneta, responsável pela voz de Homer, para “ler” os seus lábios e movimentos de cabeça, através de uma câmara posicionada em direção ao ator.

“Os Simpsons sempre forçou as fronteiras sobre o que vem a seguir e o que é possível no entretenimento. Não têm medo de correr riscos. Quando surgiu a ideia de fazer um segmento em direto num programa tão popular, não podíamos imaginar uma oportunidade melhor para mostrar o que vem a seguir em tecnologia”, explicou Van Bedient, gerente de desenvolvimento estratégico da Adobe, à revista Wired.

Não há, contudo, planos de estender a novidade para um episódio completo de 30 minutos. “Há uma limitação de movimentos e, depois de um tempo, pode parecer repetitivo”, justificou Al Jean a Entertainment Weekly. “Apesar de ser mais barato filmar em direto, não se pode fazer peças complicadas como as pessoas esperam numa animação. Faremos tudo o que pudermos em três minutos”, afirmou.