A bisneta do poeta Camilo Pessanha, Ana Jorge, discorda com a possibilidade de o bisavô ser transladado de Macau, onde faleceu em 1926, para o Panteão Nacional, em Lisboa. A hipótese, proposta por uma petição, vai ser analisada na Assembleia da República.

À Agência Lusa, Ana Jorge, que vive em Macau, afirmou que “nós aqui temos outro pensamento, mais asiático, e nestas coisas não mexemos”. “A campa está assim há muito tempo, não quero mexer”, acrescentou. No túmulo de Pessanha, foram também sepultados o seu filho, João Manuel Pessanha, e a sua mulher, de nacionalidade chinesa.

“Se tivessem pedido há mais tempo, a minha mãe decidia, mas agora já morreu”, salientou a bisneta do poeta. A sua mãe, Maria Rosa dos Remédios do Espírito Santo, neta do poeta, tinha 12 anos quando Pessanha morreu.

A petição será analisada pela comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, presidida por Edite Estrela. À Lusa, a socialista afirmou que Camilo Pessanha foi “um grande poeta”, justificando-se por isso a transladação dos seus restos mortais para o Panteão Nacional. Estrela alertou, porém, para a necessidade de se encontrar uma estimativa de custos antes de o parecer ser entregue à conferência de líderes parlamentares. Antes disso, a comissão irá também ouvir a opinião do Instituto Cultural de Macau e da Academia de Ciências de Lisboa.