Os milhares de pessoas que protestaram esta quarta-feira contra o Governo venezuelano foram recebidos em clima de grande tensão pela polícia, que fechou acessos no centro de Caracas e está a tentar dispersar a multidão com gás lacrimogéneo. Para além da polícia local, foram também destacados membros da Guarda Nacional Bolivariana que fizeram um cordão de segurança para controlar a área. Os manifestantes defendem a marcação do referendo que determinará o afastamento de Nicólas Maduro da presidência do país. A marcha foi dada como encerrada depois do documente que reunia as assinaturas ter sido entregue à CNE.

As autoridades encerraram dez estações de metro e desativaram várias carreiras de autocarro. Foram também formados cordões de segurança para impedir que os manifestantes alcancem a Comissão Nacional Eleitoral (CNE), na Praça Venezuela.

Os protestos acontecem numa altura em que a Venezuela atravessa uma profunda crise política e económica e depois de o Vice-presidente do país ter anunciado que o referendo não é uma opção.

O líder da oposição, Henrique Capriles, já usou as redes sociais para dar a conhecer que o documento foi entregue à CNE e apelou a que os manifestantes regressassem a casa para evitar confrontos com a polícia. Denunciou também a falta de segurança nas ruas da capital venezuelana dizendo “quando te roubam em Caracas não encontras um polícia, hoje estão todos nas ruas com medo que peçamos ao CNE para validar a nossa assinatura”.

No Twitter são já várias as reações que condenam o que se passa no país. Marco Rubio, um dos últimos candidatos republicanos a desistir da corrida à presidência, já demonstrou o seu descontentamento contra o governo. No seu Twitter lê-se: “Muito triste. #Venezuela um país rico com pessoas trabalhadores e educadas, sob o comando de Nicolas Maduro, um tirano de terceiro mundo.”

São vários os testemunhos que alertam para a grave situação que o país enfrenta.

“Têm andado a dizê-lo há anos, mas a #Venezuela parece estar à beira do colapso. As notícias são verdadeiramente alarmantes e incendiárias.”

A Comissão Nacional Eleitoral está agora a verificar as 1,8 milhões de assinaturas reunidas pela oposição. Esta é a primeira fase para que o referendo possa ser marcado. A recolha de assinaturas excedeu largamente o expectável, uma vez que só eram necessárias 200 mil assinaturas para fazer chegar o revogatório ao CNE. Depois desta etapa, é necessário reunir assinaturas de 20% do eleitorado (o que corresponde a aproximadamente quatro milhões de pessoas).

Ainda que as sondagens indiquem que a maioria da população apoia o afastamento do atual presidente do país, o mais provável é que não o referendo não seja marcado em tempo útil, já que a máquina que apoia Maduro tem feito pressão junto da CNE para que o processo se alongue.