Michel Temer, presidente interino do Brasil, parece ter exagerado o curriculum da sua mulher, Marcela Temer, durante uma entrevista ao programa “Fantástico”, da TV Globo. Neste, Temer afirmou que Marcela é advogada, procurando justificar assim a sua possível nomeação para um cargo no governo. Mas, segundo a revista Época, as coisas não são exatamente como o presidente as colocou.

Caso assuma efetivamente a presidência do Brasil nos próximos 180 dias, Temer afirmou que Marcela irá ocupar um cargo na área social. Até ao governo de Fernando Collor, que ocupou a presidência brasileira entre 1990 e 1992, era costume que as mulheres dos presidentes ficassem responsáveis pela assistência social. A sua mulher, Rosane Collor, foi a ultima a ocupar um cargo deste género.

Na entrevista ao “Fantástico”, Michel Temer garantiu que Marcela era qualificada para assumir o posto, referindo o facto de ser advogada. “Ela é advogada e tem muita preocupação com as questões sociais”, garantiu o presidente, também ele advogado e especialista em Direito Constitucional, citado pela Época. Porém, parece que não é bem assim.

Questionada pela revista, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) garantiu que não existe nenhum registo com o nome de Marcela. “Não consta do Cadastro Nacional dos Advogados o nome da senhora Marcela Tedeschi Araújo Temer. Esse cadastro mostra a relação de todos os inscritos na OAB (profissionais e estagiários) “, disse a ordem. Logo, a mulher do presidente não pode ser considerada advogada, mesmo que tenha tirado o curso em Direito.

A Época pediu esclarecimentos à assessoria de Michel Temer sobre o caso, mas não obteve resposta.