A Polícia Judiciária deteve esta tarde em Lisboa Filippo de Cristofaro, um cidadão italiano de 62 anos, conhecido como o “assassino do catamarã”. Foi encontrado a viver sob identidade falsa em Portugal depois de estar em fuga desde 2014, quando não se apresentou às autoridades depois de uma saída precária de três dias durante a Páscoa.

O crime de Filippo de Cristofaro aconteceu em 1988. Nessa altura, Cristofaro era um professor de dança em Roterdão e tinha uma cúmplice: a sua namorada e antiga aluna, Diana Bayer, uma holandesa de apenas 17 anos. O plano era ambicioso: roubar um catamarã e viajar até à Polinésia. O casal contava também com um parceiro de crime: um holandês, amigo de Diana Bayer, chamado Pieter Gronendijk.

Só que o plano não se fez sem violência — e a prova disso foi quando, 28 de julho de 1988, o corpo de Annarita Curina, uma mulher de 34 anos, deu à costa em Marzocca de Senigallia, na província de Ancona.

Curina foi atacada pelo grupo enquanto velejava no seu catamarã amarelo de 10 metros, batizado como Arx.

Segundo a investigação do caso, Curina foi morta a 10 de junho — isto é, aproximadamente um mês e meio antes de ter dado à costa. Para a matarem Filipo de Cristofaro e Diana Bayer deram-lhe café com Valium, isto é, um tranquilizante. Depois, com a vítima vulnerável, esfaquearam-na de forma macabra: chegaram a dar-lhe golpes na cabeça com uma faca do tipo machete.

Acabaram por ser apanhados ao largo da Tunísia. Nessa altura, Cristofaro disse que era “um tipo que fugiu com uma rapariga por amor”.

Pieter Gronendijk, Diana Bayer e Filippo de Cristofaro no seu julgamento. Diana Bayer, de 17 anos, vestia uma tshirt que dizia "Italians do it better".

Pieter Gronendijk, Diana Bayer e Filippo de Cristofaro no seu julgamento. Diana Bayer, de 17 anos, vestia uma tshirt que dizia “Italians do it better”.

Filippo de Cristofaro foi condenado a 38 anos de prisão, sendo que mais tarde um recurso do Supremo Tribunal italiano resultou no alargamento da pena para prisão perpétua. Diana Bayer, que foi julgada por um tribunal para menores, foi condenada a seis anos e meio de prisão — mas apenas cumpriu 15 meses de pena, saindo em liberdade condicional.

Em 2007, Filippo de Cristofaro já tinha conseguido evadir-se durante uma visita precária.

O “assassino do catamarã” será apresentado às autoridades competentes, para efeitos de extradição.