A Organização Mundial de Saúde confirmou esta sexta-feira que o vírus do zika que circula em Cabo Verde é afinal da mesma estirpe do que circula no continente americano, mais concretamente no Brasil. É assim a primeira vez que a estirpe do zika, responsável pelos problemas neurológicos e microcefalias, é detetada em África.

“As descobertas são preocupantes porque é a prova de que o surto se está a espalhar para lá da América do Sul e que está às portas de África”, afirma Matshidiso Moeti, diretora da Organização Mundial de Saúde para o continente africano, citada na página oficial da OMS. “Esta informação irá ajudar os países africanos a reavaliar o nível de risco e a aumentar os níveis de preparação”, acrescenta.

Segundo o comunicado da OMS, o primeiro passo é aumentar o alerta de risco para mulheres grávidas e promover as medidas de proteção para evitar as picadas do mosquito, e a transmissão pela via sexual. Também a vigilância sobre as malformações, como a microcefalia, deve aumentar.

A designada estirpe asiática do vírus infetou cerca de 1,5 milhões de pessoas só no Brasil e foi detetado em Cabo Verde através do sequenciamento dos casos de zika neste país. “É o mesmo material genético do vírus no Brasil”, disse a porta-voz da OMS Marsha Vanderford à agência France Presse.

Até 8 de maio tinham sido registados em Cabo Verde 7.557 casos suspeitos de zika, assim como três casos de microcefalia, disse a OMS. A OMS crê que a estirpe asiática do zika chegou a Cabo Verde através de alguém que veio do Brasil, antes de começar a espalhar-se localmente.

A estirpe africana do vírus, com o nome da floresta tropical zika no Uganda, onde foi descoberto pela primeira vez em 1947, está espalhada no continente há décadas. Até recentemente, o zika causava pouca preocupação dado vulgarmente provocar apenas sintomas leves semelhantes aos da gripe e os africanos em geral adquiriram imunidade em relação à estirpe do continente.