Objetivo do Sporting no próximo campeonato? “Grande objetivo é ser primeiro”. Momento que mudou a sorte do Sporting neste campeonato? O jogo que perdeu um a zero contra o Benfica, em Alvalade. Foi abordado por Pinto da Costa para treinar o Porto na próxima época? “Não”. Crispação com Rui Vitória é para continuar? “Vim aqui para falar do presente e do futuro do Sporting”. Jorge Jesus falou sobre quase tudo o que se passou na época que está agora a terminar, assegurando que ao sair do Benfica não traiu ninguém e que apesar de o terem tentado crucificar, voltou sempre a ressuscitar.

“Não fujo às perguntas, sou muito genuíno, ao longo da minha carreira no Sporting temos assessores de comunicação no Sporting para me darem alguns tópicos e para mim eu disse ‘tchau’. Falo da minha cabeça”, afirmou Jorge Jesus em entrevista à SIC esta noite. Sobre o futuro do Sporting, o treinador afirmou que o objetivo é o “primeiro lugar” no próximo campeonato, mas que para já não se pode comprometer com a permanência de nenhum jogador para a próxima época.

Sobre a sua permanência até 2019 no clube, Jesus não deu detalhes sobre a renegociação do contrato, afirmando que valorizou o gesto de Bruno de Carvalho, líder do Sporting, e assegurando que a relação com o presidente dos leões é boa. “Quando ele não está no banco, sou eu que pergunto: ‘Onde está o presidente?’. Até dá sorte”, afirmou entre risos. Mas disse que Bruno de Carvalho sabe que não é apenas um “treinador de campo”, antecipando um papel mais interventivo na próxima época.

Jorge Jesus reconheceu que alguns aspetos do campeonato correram bem, mas considera-se um arquiteto da transformação da equipa, nomeadamente na defesa, e explicando que apenas deixou ficar quatro jogadores do plantel com que começou a época. O treinador apontou, ainda, as situações mais complicadas no campeonato, indicando que perder o jogo com o Benfica e a lesão de Teo Gutiérrez mudaram a sorte do Sporting. “Se tivéssemos empatado com o Benfica ficávamos à frente. Com sorte ou sem sorte, o Benfica ganhou. Isto é que é a história”, disse.

Mas foi inevitável não falar sobre o Benfica. Jesus defende que a forma como a sua saída foi comunicada fez com que as pessoas pensassem que “tinha sido uma traição”. “Não traí ninguém. Mudei de um clube para o outro”, afirmou Jesus, indicando que, se sair do Sporting, também não será uma traição. O treinador confirmou que mantém relação com muitos jogadores do Benfica, elogiando Nico Gaitán, e que os que saírem vão poder falar mais sobre a sua influência no plantel.

Apesar de não querer reconhecer mérito ao Benfica – porque nunca lhe terá sido reconhecido mérito quando era ele que treinava a equipa -, Jesus justificou que deixou a equipa com estrutura, algo que só tinha começado a fazer no Sporting há 10 meses. “Porque já o fizemos do outro lado. Quando lá chegámos não eram campeões há cinco ou seis anos. Estamos a tentar alavancar o Sporting”, indicou. Tentou evitar falar de Rui Vitória, reconhecendo apenas que tinha sido “inteligente” ao manter a continuidade na equipa anteriormente treinada por si.

Sobre um regresso ao Benfica, Jorge Jesus afirmou que essa porta se fechou de vez, apesar de os adeptos do Benfica o tratarem bem quando se cruzam com ele na rua, pedindo fotografias e autógrafos. O problema foi com a direção dos encarnados, afirmou. “Arranjou-se uma forma de me quererem crucificar. Ao fim de 10 meses nunca tive adepto do Benfica que me insultasse. Eu sou Jesus, quiseram crucificar-me, mas eu tenho muita força, ressuscitei sempre”, rematou.

E houve um convite do Porto? Jorge Jesus negou qualquer desafio de Pinto da Costa ou de qualquer pessoa da estrutura do clube nortenho. “Nem o presidente do FC Porto, nem ninguém da estrutura portista me contactou. É uma norma, todas as épocas o meu nome aparece sempre como possível para o FC Porto. O FC Porto tem um excelente treinador, um presidente que fez história no futebol português, e ninguém se pode esquecer disso, e tem amanhã uma final muito importante”, disse.