Os representantes das escolas com contratos de associação voltaram a receber o primeiro-ministro com fortes protestos, este domingo. Depois de o mesmo ter acontecido, no sábado em iniciativas do Governo em Águeda e em Santo Tirso, António Costa volta agora a ser vaiado, em Coimbra. Mais tarde, António Costa acabou por receber um elemento da organização dos protestos e terá prometido que “cada caso de cada escola será analisado”.

Costa esteve na Universidade de Coimbra, bem como o Presidente da República, para a cerimónia de Doutoramento Honoris Causa de António Guterres, pela Faculdade de Economia. Na rua, à espera do primeiro -ministro, estavam, de acordo com a SIC-Notícias, mais de 300 manifestantes (pais, alunos e professores) contra a redução de contratos de associação nas escolas privadas.

Os apupos e palavras de ordem subiram de tom quando passou o carro que transportava o primeiro-ministro, mas também não deixaram de se ouvir quando passou Marcelo Rebelo de Sousa, com os manifestantes a entoarem o hino nacional.

Reunião com manifestantes

Mais tarde, já depois da cerimónia de atribuição do título de doutor honoris causa a António Guterres, o primeiro-ministro recebeu a representante do movimento “Defesa da Escola Ponto”, que lhe entregou um manifesto das escolas do ensino privado. Citada pela Lusa, Sandra Strecht garantiu que António Costa terá afirmado que “cada caso de cada escola seria analisado”.

“Obviamente que nós e o Governo temos interpretações diferentes relativamente aos contratos assinados pelo Estado. O senhor primeiro-ministro está neste momento a dizer que existem opções relativamente ao 7.º ano de contratos simples ou outras situações”, disse aos jornalistas Sandra Strecht. O que foi acordado com António Costa “é que cada caso de cada escola seria analisado”, acrescentou.

Segundo a representante do movimento, que promoveu uma manifestação à chegada e saída do primeiro-ministro à Universidade de Coimbra (UC), as escolas particulares sentem “muitas injustiças” e que cada instituição “irá demonstrar a sua situação e a sua realidade à secretária de Estado”.

Durante o encontro com António Costa, Sandra Strecht disse ter demonstrado “a indignação” das escolas e alertou para uma “situação muito complicada a nível social”, face a “despedimentos de professores e de funcionários e deslocalização de escolas”.

A representante saiu do encontro “com vontade de lutar até ao fim”, referindo que, durante a conversa que teve com o primeiro-ministro, este sublinhou que o Governo tem “uma interpretação diferente” dos contratos de associação face ao anterior executivo e que a prioridade passa pela escola pública.

“Vamos utilizar todos os meios necessários” para continuar a luta, frisou Sandra Strecht.

Os cerca de 300 manifestantes que protestavam em defesa do financiamento público de escolas privadas tiveram ainda esperança de que o Presidente da República, no final da cerimónia que decorreu na Universidade de Coimbra, falasse com eles.

Pais, alunos e professores gritaram repetidamente “Marcelo”, assim que o carro do Presidente da República saiu da Universidade, mas este não parou junto da manifestação.

Em declarações aos jornalistas, no final da cerimónia da UC, Marcelo Rebelo de Sousa salientou que “é preciso ir mantendo paciência e espírito democrático”, considerando que “tudo demora o seu tempo”.

No final da cerimónia de atribuição do título de ‘doutor honoris causa’ ao ex-alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR), António Guterres, o agraciado realçou “a prioridade absoluta que o país tem de dar à educação”, escusando-se a “entrar em polémicas sobre questões de detalhe”.