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Arte Contemporânea

Emergentes e consagrados, 98 artistas juntam-se em Lisboa

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De 150 euros a 35 mil, há dezenas de obras de arte para comprar na terceira edição da mOstra, que abriu no fim de semana. A organização pertence a uma antiga gestora de clientes da Sotheby’s.

Autor
  • Bruno Horta

O veleiro da imagem é uma instalação de Miguel Palma com cerca de dois metros de largura e de altura. Custa 35 mil euros, é a peça mais cara à venda na mOstra’16 Lisboa, uma exposição de arte contemporânea que abriu ao público este fim de semana.

“O veleiro movimenta-se de um lado para o outro, como se estivesse no mar alto em dia de tempestade”, descreve Patrícia Pires de Lima, produtora de arte e organizadora da exposição.

“É uma peça de museu, pela dimensão e pelo prestígio do autor, mas também faz sentido numa coleção privada”, acrescenta, referindo-se a Miguel Palma, artista plástico nascido em 1964 cujo trabalho gira em torno de temas tecnológicos, a ecologia e a “obsessão pela máquina”, como se lê no site do artista.

Há muito mais para ver nesta exposição – que decorre até 29 de maio, todos os dias entre meio-dia e meia e as 19h30. Ao todo, 98 artistas estão instalados no edifício Vasco da Gama, junto à Doca de Alcântara.

A mOstra é um projeto multidisciplinar com trabalhos de escultura, vídeo, pintura, desenho, instalação e fotografia. Junta nomes reconhecidos – como Miguel Palma, João Paulo Serafim, Miguel Calapez ou Wasted Rita – e nomes novos, ou emergentes, como os descreve Patrícia Pires de Lima. São estes últimos que estão em maioria. Quase todos vivem e trabalham em Portugal.

“A exposição começou há três anos, é um conceito novo em Portugal, porque juntamos emergentes e consagrados num espaço normalmente desabitado”, destaca a responsável. “Na primeira edição, estivemos no antigo edifício dos CTT, no Cais do Sodré, que entretanto se transformou em condomínio de luxo. Desta vez, estamos num edifício com 108 salas, cada artista tem direito a uma, embora alguns partilhem e outros ocupem duas salas.”

O projeto nasceu em torno da primeira feira de arte contemporânea do Estoril, a Est Art Fair – International Contemporary Art Fair, que decorreu em julho de 2014. “Em todas as feiras de arte estabelecem-se iniciativas paralelas, fora da programação oficial, que apresentam outros artistas, e foi assim que comecei”, recorda Patrícia Pires de Lima.

Trabalha no mercado da arte há mais de 20 anos. Estudou design de interiores na Inchbald School of Design, em Londres, e foi gestora de clientes na leiloeiras Sotheby’s e Palácio do Correio Velho em Lisboa. “Evoluí para outras áreas e a que mais me encantou foi a da arte contemporânea”, conta. “Fiz um caminho de aprendizagem, muitas vezes como autodidata.”

Em simultâneo, gere na internet a galeria Mostra Online, que vende obras por catálogo. Todos os trabalhos da mOstra ’16 Lisboa vão estar em simultâneo naquele site durante o período da exposição e depois disso.

Ao contrário do que se poderia supor, as obras de pintura estão em minoria. Uma larga percentagem da oferta é composta por fotografia e trabalhos sobre papel em grande formato. Este últimos são “cada vez mais comuns”, no dizer de Patrícia Pires de Lima, e não se restringem ao desenho ou à aguarela, incluem diversas técnicas, como a colagem ou o acrílico sobre papel.

Os compradores podem reservar a obra que escolherem – a mais barata custa 150 euros e a mais cara atinge os 35 mil – e no fim da exposição levam-na consigo ou pedem à organização que faça o transporte. O pagamento é por cheque, transferência bancária ou dinheiro. A decoração, o colecionismo e o investimento são os principais interesses dos compradores, informa a produtora de arte.

Este ano, pela primeira vez, a mOstra teve uma antevisão no Porto, num edifício da Rua de Santa Catarina, com reduzido número de artistas, entre 16 e 20 de abril. Para 2017 estão previstas duas edições distintas: uma para o Porto, outra para Lisboa.

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