A ministra do Mar demonstrou “surpresa” com a recusa dos estivadores em aceitar a proposta dos operadores portuários que satisfazia uma das suas principais reivindicações – a desativação da PORLIS – e sublinhou que os prejuízos da greve são nacionais.

“Foi com grande surpresa que vi que a reivindicação tornada pública pelo sindicato e que os operadores portuários se propunham acolher (…) não foi suficiente para acabar o conflito e agora aguardo que os operadores me digam que atitudes vão tomar para resolver o problema”, afirmou Ana Paula Vitorino à Lusa, à margem da tomada de posse da nova administração da Docapesca, em Lisboa.

Em causa está uma proposta apresentada na sexta-feira ao sindicato dos estivadores, que incluía a desativação da PORLIS (uma empresa de trabalho portuário pertencente ao grupo Mota-Engil) que, “infelizmente, não foi aceite”, disse a ministra.

A ministra do Mar adiantou que os estivadores terão apresentado uma contraproposta que “vem adicionar exigências” relativamente aos motivos que tinham invocado para a greve e que se deviam essencialmente ao aparecimento da nova empresa de trabalho portuário “que, no entender do sindicato, iria aumentar a precariedade e a concorrência relativamente à empresa de estiva já existente”.

Ana Paula Vitorino sublinhou que “a questão é problemática”, acrescentando que “a greve já causou prejuízos muito elevados”, não só ao Porto de Lisboa e aos seus operadores diretos, mas a toda a região e ao país, pelo que “devem ser tomadas algumas medidas” além dos serviços mínimos que o Governo já decretou.

Desde 20 de abril que os estivadores do Porto de Lisboa estão em greve a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal, isto é, recusam trabalhar além do turno, aos fins de semana e dias de feriado. De acordo com o último pré-aviso, a greve vai prolongar-se até 16 de junho.