O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou esta segunda-feira em Bruxelas que é responsabilidade do Estado, enquanto acionista único da Caixa Geral de Depósitos (CGD), capitalizar o banco “num montante e na forma adequados” para garantir a sua saúde financeira.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião dos chefes de diplomacia da União Europeia, Augusto Santos Silva, questionado sobre a capitalização da CGD, comentou que, como é sabido, esse “é um dos pontos importantes daquilo que é preciso fazer em 2016 para reforçar a saúde do sistema bancário português”, sendo que neste caso se trata de uma responsabilidade do Estado.

“O Governo entende que a Caixa Geral de Depósitos é um banco público e deve continuar a ser um banco integralmente público, e que é responsabilidade do acionista único da CGD, o Estado, capitalizar a Caixa, capitalizar o banco de que é acionista, num montante e na forma adequados para que a saúde financeira desse banco permaneça e se reforce”.

O ministro e “número dois” do Governo socialista escusou-se a tecer mais comentários, designadamente sobre o montante da capitalização e o ponto da situação relativamente aos contactos entre Lisboa e Bruxelas sobre a capitalização da Caixa, que necessita da aprovação da Comissão Europeia.

“Não tenho mais nada a dizer sobre esse assunto”, disse.

No passado sábado, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que ainda não existe “decisão final” sobre uma eventual injeção de quatro mil milhões de euros na Caixa Geral de Depósitos (CGD), remetendo qualquer comentário para a conclusão do processo.

“Não, o que o Expresso diz é que há um programa de reestruturação que está a ser preparado pelo conselho de administração [da CGD] que está a ser constituído e que está a ser discutido com o Governo. Quando houver uma decisão final sobre essa matéria, trataremos”, afirmou aos jornalistas, em Santo Tirso, distrito do Porto, à margem da inauguração de dois museus da cidade.

De acordo com o semanário Expresso, António Domingues colocou como condição para aceitar a liderança da CGD a recapitalização do banco num montante que pode ir até aos quatro mil milhões e que António Costa já teria dito que sim.