Porto de Lisboa

Empresa de conservas troca porto de Lisboa por estabilidade de porto espanhol

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Uma empresa de conservas de peixe, sediada em Vila do Conde, passou a utilizar o porto de mercadorias de Vigo, depois de acumular prejuízos devido à greve dos estivadores..

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Autores
  • Agência Lusa
  • Tiago Palma

Uma empresa de conservas de peixe, sediada em Vila do Conde, passou a utilizar o porto de mercadorias da cidade espanhola de Vigo, depois de acumular prejuízos devido à greve dos estivadores no porto de Lisboa.

No passado mês de abril, a Gencoal ficou com três contentores carregados de salmão, oriundos do Chile, retidos no porto de Lisboa, algo que, além de causar prejuízos operacionais na ordem dos 8 mil euros, fez com que a empresa se atrasasse nas entregas aos clientes.

Perante este cenário, a empresa, cuja produção é totalmente para exportação, teve de redefinir a sua estratégia e não hesitou em passar usar os serviços do porto de Vigo, no norte de Espanha, considerando que passou a ter “maior estabilidade”.

“É um porto que trabalha bastante bem e em que não vou ter surpresas, e se as tiver certamente serão resolvidas mais rapidamente. Aqui em Portugal é para esquecer, a minha empresa e os meus funcionários não podem passar por isto, tenho de pagar salários no final do mês”, partilhou à Lusa Manuela Gilman, diretora geral da empresa.

Para a gestora, as diferenças de custos entre os serviços do porto de Lisboa e o de Vigo “não são significativos”, lembrando que o porto espanhol “até fica bem mais perto de Vila do Conde”, não hesitando em afirmar “será, a partir de agora, o porto de eleição”.

Questionada pela razão de não ter optado, por exemplo, pelo porto de mercadorias de Leixões, bem mais perto sede da empresa, Manuela Gilman lembrou que “nem todas as companhias de navegação descarregam em Leixões” e que em Vigo, “além de ser um porto maior, não existe uma restrição tão grande com as empresas de navegação com que podemos trabalhar”.

A empresária partilhou, ainda, que no recente incidente com o porto de Lisboa ficou com 650 mil euros de mercadorias retidas em três contentores durante 15 dias, e que apesar de a matéria-prima não se ter estragado, causou prejuízos que ainda estão ser contabilizados.

“Tivemos uma linha de produção, com cerca de 40 pessoas, parada, com todos os prejuízos inerentes ao não cumprimento de contratos com clientes e ao facto de ter as pessoas a não desempenharem as funções”, partilhou.

“Ainda estamos a contabilizar os custos do não cumprimento dos contratos de entrega com os clientes, mas só de imobilização dos contentores foram 8 mil euros”, completou Manuela Gilman.

Sendo toda a produção de conservas de peixe de Gencoal para exportação, a empresária afirmou que os clientes estrangeiros tiveram dificuldade em compreender o que se está a passar nos portos nacionais.

“Acharam muito estranho que um porto essencial à vida económica de um país, como é o de Lisboa, não esteja a funcionar há tanto tempo devido a greves sucessivas”, desabafou.

A empresária reconhece que os “trabalhadores têm direto à greve”, mas disse “não compreender a razão de os serviços mínimos não terem sido realmente efetuados”.

“Em outras greves podia haver um atraso de dois ou três dias na entrega dos contentores, mas os serviços mínimos funcionavam. Desta vez, e apesar dos nossos pedidos ao Governo, nada funcionou”, apontou.

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