A Grécia e o Eurogrupo terão chegado, finalmente, a acordo sobre a primeira revisão daquele que é já o terceiro resgate ao país, permitindo o desembolso de mais 10,3 mil milhões de euros do empréstimo internacional, avança a televisão estatal grega ERT, citando fontes não identificadas. O Eurogrupo ainda não acabou, mas o Governo grego está otimista.

Na reunião do Eurogrupo, que decorre nesta terça-feira em Bruxelas, os ministros das Finanças terão dado “luz verde” ao desembolso depois de ter sido aprovado mais um vasto pacote de leis no Parlamento de Atenas, na segunda-feira, que responde aos compromissos exigidos pela troika para desembolsar os 10,3 mil milhões de que a Grécia necessita, numa altura em que o Estado já está a falhar pagamentos.

Pela frente, a Grécia terá ainda pagamentos avultados a fazer ao Banco Central Europeu e ao Fundo Monetário Internacional, em julho.

O acordo que terá sido conseguido esta tarde – a reunião do Eurogrupo ainda não terminou – terá, no entanto, algumas condições prévias associadas, que a Grécia tem de cumprir antes de receber o dinheiro, condições estas que a televisão estatal grega diz, citando mais uma fonte não identificada do Governo grego, serão menores e que deverão ser cumpridas rapidamente. De acordo com o jornal grego Kathimerini, entre as condições que estão a ser exigidas está o acelerar das privatizações, a reforma do sistema de pensões e mudanças ao sistema para lidar com o crédito malparado.

O terceiro resgate à Grécia foi acordado em agosto de 2015, depois de o Governo de Alexis Tsipras ter colocado a referendo, em julho, uma proposta dos líderes da zona euro de programa de assistência para a Grécia. Depois de essa proposta ter sido chumbada nas urnas, as condições impostas acabaram por ser ainda mais duras. Ainda assim, Alexis Tsipras acabaria por pedir ajuda poucos dias depois do referendo e chegou a acordo com a zona euro em meados de agosto para um terceiro resgate de cerca de 86 mil milhões de euros.

A participação do FMI neste resgate continua a ser uma incógnita, apesar de os ministros europeus dizerem que sem o Fundo não há programa, já que a instituição liderada por Christine Lagarde se recusa a entrar em mais um resgate sem (mais) uma reestruturação da dívida grega. A questão está a ser discutida, paralelamente, no Eurogrupo, mas para já tem sido afastada pelos ministros, em especial pela linha dura do Eurogrupo, que tem a Alemanha à cabeça.

Para já, a Grécia deve conseguir aprovar em breve a primeira revisão do terceiro programa de resgate, nove meses depois de acordar esse programa. A Grécia já tinha recebido 13 mil milhões de euros deste novo resgate à cabeça, logo em agosto de 2015, com mais 10 mil milhões de euros disponibilizados de imediato para recapitalizar a banca grega.

Protestos chegam à classe média

Com 153 votos favoráveis em 300 deputados, Alexis Tsipras conseguido aprovar no Parlamento mais um pacote de austeridade com aumentos de impostos, mesmo depois de vários protestos, alguns deles com episódios de violência, nas ruas de Atenas e um pouco por todo o país, mas as dores de cabeça parecem estar longe de terminar.

Depois dos jovens encapuzados e dos pensionistas protestarem nas ruas, também os advogados decidiram estender a sua greve de quatro meses e estão a causar o caos nos tribunais. Mais de 200 mil processos já terão sido adiados só na capital grega. Há casos que estão a ser adiados por mais de 15 anos.

Os advogados protestam contra o aumento de impostos, que afetam todos os produtos, mas terão um impacto especialmente forte nas contribuições para a Segurança Social, sobre os rendimentos do trabalho e nas taxas sobre os serviços prestados.