O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, defendeu esta terça-feira que os consulados da Venezuela devem envolver-se no apoio social aos portugueses residentes naquele país, em articulação com instituições de solidariedade.

“É importante os nossos consulados e a nossa diplomacia estarem atentos no apoio social aos nossos compatriotas”, declarou Miguel Albuquerque, no final de uma audiência no Palácio de Belém, referindo que falou neste assunto com o Presidente da República e que já fez esta sugestão ao secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro.

Em declarações aos jornalistas, o governante disse ter também falado com Marcelo Rebelo de Sousa sobre os efeitos da greve de estivadores no transporte marítimo para a Madeira e na economia da região. No seu entender, os serviços mínimos “não são suficientes” e a atual situação “não pode continuar”.

“O que é fundamental é levar em linha de conta a situação de excecionalidade das regiões autónomas no que diz respeito a abastecimento de bens essenciais, como medicamentos, perecíveis, porque nós importamos muito do que consumimos, e para nós o transporte marítimo é essencial”, afirmou.

Sobre a Venezuela, o presidente do Governo Regional da Madeira considerou que “a situação do ponto de vista social tem tendência a agravar-se”.

“Uma sugestão que eu fiz e continuo a fazer é aproveitar as redes dos nossos centros portugueses nas diversas cidades e estados da Venezuela para, através dos consulados, poder prestar apoio a esses nossos concidadãos”, adiantou.

Miguel Albuquerque disse que muitos desses “centros portugueses” espalhados pelo território da Venezuela são “instituições de beneficência”.

No seu entender, essas “instituições de solidariedade” devem ser aproveitadas para, em contacto com os consulados portugueses, lhes prestarem “informação sobre as famílias mais carenciadas”, para que estas sejam apoiadas socialmente.

“É importante, uma vez que há uma grande dispersão da nossa comunidade no país”, salientou.

Sobre a situação nos portos, Miguel Albuquerque declarou que, “independentemente das razões da greve ou das questões laborais em apreço, a verdade é que a Região Autónoma da Madeira, bem como a Região Autónoma dos Açores, tem sido muito afetada por esta greve, porque está dependente do transporte marítimo”.

Como exemplo, apontou: “Ainda esta semana tivemos de solicitar à Força Aérea o transporte de medicamentos urgentes através de um avião militar”.