A agência Moody’s cortou o rating do Deutsche Bank para apenas dois níveis acima de lixo, numa decisão que já está a merecer críticas por parte do presidente-executivo do banco, John Cryan. A Moody’s mostrou-se pouco confiante de que o banco terá condições para dinamizar as suas operações num contexto de incerteza económica global e de taxas de juro historicamente baixas. É mais uma nuvem negra sobre o setor da banca europeia, que este ano já cai 19% em bolsa.

“A prestação do Deutsche Bank nos últimos trimestres tem sido fraca e existem desafios operacionais significativos, incluindo as contínuas taxas de juro baixas e a incerteza macroeconómica, que são um desafio para o banco”, escreveu a Moody’s em nota publicada esta terça-feira. O rating continua em investimento de qualidade mas caiu um nível, para Baa2, o que o deixa muito perto de passar a ser considerado um investimento de alto risco (lixo).

John Cryan, o presidente-executivo, não perdeu tempo a reagir e criticou a agência de rating pela decisão anunciada esta manhã.

“Estamos muito dececionados. Temos capital suficiente para pagar toda a dívida quatro vezes”, garantiu o responsável, à margem de uma conferência em Madrid.

O Deutsche Bank não tem tido um ano de 2016 fácil. Esteve no centro das atenções na banca europeia nos primeiros meses do ano devido a algumas dúvidas no mercado sobre a capacidade do gigante alemão de cumprir as obrigações, sobretudo o pagamento de alguns instrumentos híbridos que são contabilizados como capital.

A solução para o Deutsche Bank, nessa altura, foi ir ao mercado e oferecer-se para recomprar (antecipar o reembolso) de muitos desses títulos. A decisão acalmou os investidores mas o corte de rating da Moody’s vem, novamente, colocar a nu os desafios que a banca europeia enfrenta.

O presidente-executivo, John Cryan, anunciou em outubro um plano abrangente para reestruturar o banco mas o contexto operacional mudou muito entretanto, com o BCE a reduzir as taxas de juro para níveis cada vez mais negativos e a economia mundial a desacelerar.