Serralves

Serralves expõe um dos artistas “mais radicais e menos conhecidos” em Portugal

O Museu de Serralves abriu a primeira "grande exposição" do artista: "Tecnoforma". O artista plástico trabalha com esculturas em néon, fotomontagens, fotopoemas e performances em vídeo.

Para Silvestre Pestana a "arte é um meio de fazer sentido"

ESTELA SILVA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O Museu de Serralves, no Porto, abre, na quinta-feira, “a primeira grande exposição” dedicada a Silvestre Pestana, um artista que o curador, João Ribas, classificou como “uma das figuras mais radicais e menos conhecidas da arte em Portugal”.

A exposição, intitulada “Tecnoforma”, reúne um conjunto de cerca de 100 obras do artista natural do Funchal, desde desenhos, fotomontagens (e fotopoemas como “Povo novo, novo povo”, submetido à Bienal de São Paulo), esculturas em néon, performances em vídeo e em realidade virtual, entre outras.

Para o artista, que acompanhou esta terça-feira a imprensa numa visita à exposição que fica em Serralves até 25 de setembro e tem a sua inauguração oficial a 02 de junho, foi uma “oportunidade surpreendente”, uma vez que não estava nos seus planos reunir tantas obras nesta escala, deixando múltiplos elogios à equipa do museu pelo trabalho realizado.

“Mais ou menos” cronológica, “Tecnoforma” começa com trabalhos de 1968 e termina com duas encomendas de Serralves a Silvestre Pestana, entre as quais “O trabalhador invisível” que consiste em vários robôs de limpeza que circulam pelo museu, realizando ainda uma performance original (“nem acreditam o terror que isso põe” numa pessoa, riu-se Silvestre Pestana) no dia 4 de junho, com recurso a quatro ‘drones’, no âmbito do Serralves em Festa.

“O trabalho do Silvestre está sempre à frente, às vezes até das possibilidades tecnológicas”, afirmou João Ribas, referindo-se, no caso, a um poema para computador que teve de ser filmado à medida que se desenvolvia por não haver capacidade de registar a imagem na altura.

Para Silvestre Pestana, madeirense “com muito gosto e muita fantasia”, a “arte é um meio de fazer sentido”, sublinhando em várias das suas obras a necessidade de apropriação do espaço público pelos artistas.

Exilado na Suécia antes do 25 de Abril, Silvestre Pestana regressou a Portugal em 1974, usando, no seu trabalho, “o corpo para ativar códigos linguísticos e não-linguísticos, ao mesmo tempo que se expande para a poesia numa prática espacial e coreográfica”, como se pode ler no comunicado da exposição.

Questionado sobre porquê o título da mostra, João Ribas destacou a relevância do nome e frisou ter “tudo a ver com o trabalho e com a posição do Silvestre como artista resistente e com uma visão bastante atenta”.

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