Quando saísse da prisão, Nadia Savchenko já teria perto de 60 anos. Mas a ucraniana de 35 anos recebeu o “perdão” do presidente da Rússia Vladimir Putin e vai voltar a casa. Nadia Savchenko é agora vista como uma “heroína nacional” e pode estar a contribuir para resolver o conflito na Ucrânia.

Nadia é piloto de helicóptero e foi presa na Rússia em junho de 2014. A ucraniana era tenente no exército ucraniano e foi capturada pelos separatistas russos quando estava no conflito a leste da Ucrânia. Foi acusada de passar ilegalmente a fronteira da Ucrânia e de ter participado no homicídio de dois jornalistas russos. Esses jornalistas foram mortos no mesmo em que ela foi presa, esclarece o Telegraph. Nadia negou estar envolvida no crime mas foi considerada culpada.

A detenção foi muito polémica e seguiram-se dois anos de impasses diplomáticos. O presidente ucraniano acusou o presidente russo de fazer de Nadia Savchenko uma “arma” para pressionar o governo ucraniano a desistir da guerra. Em março deste ano, Nadia foi condenada a 22 anos de prisão numa prisão de Moscovo, apesar de os advogados terem mostrado dados e vídeos do telemóvel que mostravam que ela estava muito longe da zona de ataque aos jornalistas. Nadia acabou por ser libertada esta quarta-feira pelo Presidente russo.

É de notar que Nadia Savchenko foi uma das primeiras mulheres que entraram no exército para piloto e foi a única mulher membro do contingente ucraniano para a paz que esteve no Iraque. Foi também a única mulher a pilotar o bombardeiro Sukhoi Su-24.

Vários líderes ocidentais, como Angela Merkel e Barack Obama, consideraram-na uma “presa política” e alguns deles chegaram a ter reuniões com Putin sobre o caso. Nadia chegou a ser eleita deputada para o Parlamento e foi condecorada pelo político e empresário milionário ucraniano Petro Poroshenko. Tudo durante os dois anos em que esteve presa. A Ucrânia olha para ela, agora, como uma “heroína do país”.