O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, apelou esta quinta-feira a uma resposta a nível mundial à crise dos refugiados, de modo a que não seja apenas a Europa a lidar com o problema.

À margem da cimeira do G7 no Japão, Tusk disse que as nações europeias precisam de ajuda para lidar com a enchente de pessoas que estão a chegar, vindas de países em conflito no Médio Oriente e em África.

“Temos consciência de que é devido à geografia que a maior parte da responsabilidade é, e continuará a ser, posta na Europa”, disse Tusk, em Ise-Shima, a 300 quilómetros de Tóquio. “No entanto, também gostaríamos que a comunidade global mostrasse solidariedade e reconhecesse que se trata de uma crise global”, afirmou.

No ano passado, cerca de 1,3 milhões de refugiados, a maior parte vindos de países em guerra como a Síria e o Iraque, pediram asilo à União Europeia, mais de um terço destes fizeram-no junto da Alemanha.

Este ano, a Organização Internacional de Migrações estima que 190 mil migrantes e refugiados entraram na Europa por mar, chegando a Itália, Grécia, Chipre e Espanha. Mais de 1.300 morreram na viagem.

A União Europeia criou um programa para redistribuir o primeiro grupo de 140 mil pessoas pelos 28 Estados-membros.

“O mundo foi confrontado com o mais elevado número de refugiados, requerentes de asilo e pessoas deslocadas internamente desde a II Guerra Mundial”, disse Tusk.

“Aqueles que criticam a Europa devem antes pensar em como elevar a assistência [prestada] porque aquilo que a Europa disponibiliza já é massivo”, afirmou.

Tusk, que comparece à cimeira do G7 juntamente com Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, disse que irá pedir aos líderes presentes que apoiem uma solução internacional.

O mundo tem de “se comprometer a aumentar a assistência global para que as necessidades imediatas e de longo prazo dos refugiados e comunidades de acolhimento sejam respondidas”.

“A comunidade internacional deve reconhecer que quando a Turquia, o Líbano e a Jordânia apoiam refugiados estão na verdade e fornecer uma rota pública global”, sublinhou.

Além disso, os países do G7 devem encorajar as instituições financeiras internacionais e outros doadores a aumentarem as suas contribuições.

“Neste sentido, o fundo da União Europeia para a Síria, África e Turquia, juntamente com o trabalho dos bancos de investimento europeus, serve como exemplo para todos nós”, indicou.

Por fim, o G7 “encoraja o estabelecimento de esquemas de realojamento e outras formas legais de migração em todo o mundo”, disse.