A UNITA vai pedir uma comissão de inquérito urgente aos incidentes ocorridos na quarta-feira na província de Benguela, que terão terminado com um militante morto, quatro ainda desaparecidos e ameaças a três deputados do maior partido da oposição angolana.

A informação foi avançada esta quinta-feira à Lusa pelo líder da bancada parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Adalberto da Costa Júnior, um dos três deputados que, segundo o próprio relatou, terão sido alvo, juntamente com outros militantes, de “emboscadas” e “ataques” alegadamente perpetradas por “apoiantes” do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder, durante uma visita de trabalho à comuna de Capupa, no município do Cubal.

“É uma zona ciclicamente de muita intolerância política e onde nunca houve responsabilização deste tipo de ação. Mas o que aconteceu connosco não foi intolerância política e sim um ataque para matar”, denunciou o deputado, um dos visados.

Os confrontos, entre ameaças e ataques, aconteceram, segundo a UNITA, sobretudo entre as 16:00 e as 22:00 de quarta-feira, naquela aldeia, numa zona praticamente sem comunicações.

“Temos um morto, quatro desaparecidos, que foram vistos sendo arrastados para o milheiral que ali havia, muito provavelmente não estarão vivos, e mais três feridos. São dirigentes da UNITA. A polícia [que acompanhava a delegação dos deputados do partido] também diz que tem um agente desaparecido e outro ferido”, explicou já esta manhã o deputado e líder parlamentar.

Segundo Adalberto da Costa Júnior, a vítima mortal confirmada, com cerca de 55 anos, era um tenente-coronel na reserva e quadro superior da UNITA na província de Benguela, que terá sido alvo de “violentas agressões” na cabeça.

Os ataques à comitiva e militantes da UNITA, disse ainda, terão envolvido, além de agressões e destruição de casas e viaturas de apoiantes do partido do “galo negro” durante o dia, “várias emboscadas num perímetro de oito a dez quilómetros”. Inclusive com “árvores cortadas no meio da estrada para parar as viaturas” e a utilização de flechas, porretes, catanas e paus.

“Tivemos sorte, só não tive danos físicos porque as pessoas que estavam a fazer a nossa segurança agiram muito rapidamente e com uma proteção extraordinária. Naturalmente foi preciso usar armas para se tirar as pessoas da zona”, relatou.

A UNITA associa “sem dúvidas” o ataque a apoiantes do MPLA, nomeadamente pela utilização de bandeiras daquele partido e pelo historial deste tipo de ações.

“Esperamos uma comissão de inquérito ao que aconteceu transparente e urgente. É o mínimo quando se vê um servidor do povo a ser atacado numa visita parlamentar com a presença da polícia, é qualquer coisa de inacreditável”, disse ainda.

A UNITA queixa-se de mais de uma centena de mortos entre dirigentes do partido por ações de “intolerância política” desde o fim da guerra civil, em 2002, e “sem qualquer tipo de responsabilização”.