O Novo Banco registou prejuízos de 249,4 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, valor que compara com perdas de 117,8 milhões de euros em igual período de 2015.

Para esta evolução, a instituição liderada por Eduardo Stock da Cunha aponta para o impacto do custo com o plano de reestruturação, no valor de 109,6 milhões de euros e que foi contabilizado neste trimestre. Também a totalidade da contribuição sobre o setor bancário foi já toda reconhecida no primeiro trimestre, no ano passado tal não aconteceu. Já em sentido contrário, os resultados não refletem as contribuições para o Fundo de Resolução. Sem estes efeitos, o resultado trimestral teria sido negativo no valor de 140 milhões de euros.

As provisões, onde estão incluídos os custos de reestruturação, totalizaram 348,2 milhões de euros.

De positivo, o banco destaca a melhoria em 152% no resultado operacional que foi 78,9 milhões de euros, o que é “demonstrativo da capacidade de recuperação da atividade” do grupo. O produto bancário progrediu 24,9% para 210,9 milhões de euros. Os resultados de operações financeiras foram positivos em 27,3 milhões de euros. Já os custos operacionais registaram uma diminuição de 17,8%, face à média trimestre de 2015, o que traduz “o esforço de redução de custos empreendido pelo Grupo através, nomeadamente, da simplificação e melhoria de processos e da otimização da estrutura operativa e comercial”.

O Novo Banco tem em curso um plano de reestruturação acordado com a Comissão Europeia que prevê a redução de 1000 efetivos a diminuição de mais 500 agências. Em desenvolvimento está também a segunda tentativa de venda da instituição que resultou da resolução do Banco Espírito Santo.

No primeiro trimestre saíram do banco 433 colaboradores. O número a nível do grupo atinge os 1649, mas inclui o BESI vendido à Haitong e as atividades que foram destacadas. Os custos com pessoal recuaram 18,1% face à média trimestral de 2015. Os gastos administrativos atingiram 58,7 milhões de euros, representativos de um decréscimo de 17,8% face à média trimestral de 2015. “Esta redução foi transversal a todos os agregados de custos e reflete a política de racionalização e otimização em curso”.

Depósitos caíram 8,1% com saída de institucionais

Do lado dos depósitos, e apesar de um reforço dos recursos de clientes particulares, mais 44 milhões de euros no primeiro trimestre, registou-se uma redução de 8,1% no primeiro trimestre que é em parte explicada pela saída do balanço do Novo Banco Ásia e do BES Vénétie.

A instituição refere a diminuição dos depósitos de grandes empresas e institucionais que foi “influenciada pela política de redução de preço (juros) que tornou a oferta neste segmento menos competitivo e pelas repercussões da retransmissão de cinco emissões seniores para o perímetro do BES”.

Ainda a propósito da redução de 2,2 mil milhões de euros nos depósitos, o Novo Banco assinala as descidas no rating atribuído aos depósitos de longo prazo, o que “causou uma redução dos depósitos de alguns grandes clientes institucionais e empresariais”.

O nível de crédito concedido também recuou, menos 2,2 mil milhões de euros no primeiro trimestre do ano, em linha com o objetivo de desalavancagem do balanço, mas, assegura a instituição, “sem impactar em particular
o apoio às pequenas e médias empresas exportadoras”. Parte importante deste decréscimo também é explicada pela transferência do BES Vénétie e o NB Ásia para o veículo com ativos em descontinuação, o chamado side bank (banco paralelo).

Os ativos que foram passados para este banco paralelo estavam avaliados em 10,4 mil milhões de euros em março, já descontado o impacto das provisões. Entre os ativos não estratégicos, estão participações acionistas diversas no valor de 900 milhões de euros, imóveis (2,5 mil milhões de euros), créditos fora da estratégia do banco (3,6 mil milhões de euros e participações em fundos de reestruturação (1,2 mil milhões de euros).

O Novo Banco está impedido, salvo exceções, pelo acordo com a DG Comp (direção europeia da concorrência), de aumentar a exposição a estes ativos.