A polícia grega anunciou ter desmantelado em colaboração com a Europol duas redes de passadores que cooperavam, a partir da Grécia, no transporte de migrantes para a União Europeia.

Na sequência de uma investigação de vários meses no quadro do Programa europeu Empact de luta contra o crime organizado internacional, 16 estrangeiros — oito cidadãos do Bangladesh, seis sudaneses, um paquistanês e um sírio – residentes em Atenas foram detidos na quarta-feira, anunciou a polícia em comunicado.

Uma das redes era dirigida por um sudanês, a outra por um nacional do Bangladesh.

Foi aberto um processo de instrução contra os 16 detidos por pertença a organização criminosa, tráfico de migrantes, falsificação de documentos e uso de documentos falsos, enquanto 48 pessoas residentes na Grécia, todas estrangeiras, e 51 presumíveis cúmplices, residentes em diversos outros países, são procurados.

De acordo com a polícia, os dois grupos cooperavam para trazer para a Grécia migrantes – a quem forneciam papéis falsos -, e depois para os enviar para outros países europeus, nomeadamente, Áustria, Suécia, Reino Unido, Alemanha, Itália, Espanha, República Checa e França. Três e quatro presumíveis cúmplices foram detidos respetivamente nestes dois últimos países.

Ativas desde, pelo menos, há dois anos, com tarifas que variavam de acordo com os serviços oferecidos entre 100 e 50.000 euros por cliente, os passadores utilizavam empresas de correio rápido para enviarem aos candidatos à entrada na Europa documentos falsos ou roubados e bilhetes de avião encomendados.

O encerramento desde março último das fronteiras europeias ao êxodo das populações em fuga de guerras e miséria, tem — segundo os especialistas – oferecido tónus ao tráfico de migrantes a partir da Grécia.

Em declarações à agência France Presse, um especialista europeu em temas de segurança, que a AFP não identifica, considera que Atenas se tornou há uma dezena de anos num “supermercado internacional de documentos falsos”.

Muitos testemunhos de migrantes e de refugiados confirmam, de acordo com a mesma agência, a facilidade com que encontram passadores para a Europa, tanto em Atenas como nos seus vizinhos do norte, Macedónia ou Bulgária.