Os estivadores aprovaram este sábado em plenário o acordo alcançado na sexta-feira à noite entre o sindicato e os operadores portuários que permite suspender o pré-aviso de greve e faz cair por terra a ameaça de despedimento coletivo.

“Nós dizemos que empatámos 2-2 porque há questões que as empresas pretendiam e que nós cedemos, fizemos aqui algum sacrifício da nossa parte para conseguir este acordo”, disse António Mariano, presidente do sindicato dos estivadores, à saída da reunião plenária. “Esta greve nunca devia ter tido estas proporções”, afirmou o dirigente, apontando o dedo às empresas que desviaram linhas para outros portos.

“Estão criadas as condições, isso é o mais importante. Havia aqui uma ameaça de despedimento coletivo, tudo isso está travado. O trabalho está aí, nós vamos continuar a trabalhar normalmente, o que queremos é trabalhar”, acrescentou António Mariano, que espera que os trabalhadores de outros portos também se mobilizem para alcançar acordos semelhantes a este.

Para o próximo dia 16 de junho está marcada uma manifestação de estivadores que o sindicato não vai desmarcar, apesar do acordo agora alcançado. Para António Mariano, esse protesto será “uma jornada de luta contra a precarização” e conta já com o apoio de “outros setores da sociedade”.

Uma maratona de discussões

Foram precisas 15 horas de negociações para que houvesse luz verde no Ministério do Mar. “É um acordo que permite que já estejam acertadas todas as cláusulas que serão vertidas no contrato coletivo de trabalho, que tem de ser feito nos próximos 15 dias”, disse a ministra Ana Paula Vitorino à saída da reunião.

O primeiro-ministro António Costa tinha dado esta sexta-feira como a data limite para que as partes em conflito no Porto de Lisboa se entendessem. Costa falou “num grande esforço negocial” que iria ser feito ao longo de toda a sexta-feira, sublinhando no entanto que havia “limites para tudo”. Se o desfecho não fosse uma “solução negociada”, teria que se encontrar uma outra via.

A reunião entre as duas partes começou às 9h da manhã de sexta-feira e só terminou perto da meia-noite.

Em declarações à SIC logo após a assinatura do acordo, Ana Paula Vitorino garantiu que era “uma boa notícia para o país” e um acordo favorável às duas partes. “Confio que ambas as partes irão cumprir o acordo aqui assinado”, disse. Mostrando-se confiante de que se trata de “um ponto final definitivo” na greve, a ministra do Mar afirmou que ficaram vertidos no acordo muitos dos pontos que “tinham sido acertados entre 7 de janeiro e 4 de abril” e que ficaram “resolvidas, de forma equilibrada, as três questões que ainda estavam em aberto”.

“Foi resolvida a questão do conflito sobre uma segunda empresa de trabalho portuário”, garantiu a ministra. “Na questão das progressões na carreira foi conseguido um ponto de equilíbrio entre a posição dos sindicatos e a posição dos operadores. E na questão das tarefas a exercer em alguns terminais também foi conseguido um equilíbrio”, informou Ana Paula Vitorino.

Mostrando-se confiante no cumprimento do acordo, a ministra reiterou que “um acordo só é bom se for bom para ambas as partes”.