O ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, defendeu este sábado a necessidade do país reformar o sistema político, acabando com o regime presidencialista, e apontou Cabo Verde e Portugal como modelos a seguir.

José Serra (PSDB), que assumiu a pasta das Relações Exteriores do Governo interino liderado por Michel Temer após a destituição da presidente Dilma Roussef em meados de maio, adiantou que a situação política no país continua tensa.

“Espero que, desta vez, o Brasil extraia uma lição que já devia ter sido aprendida há muito tempo de que precisamos reformar o sistema político. Um sistema como o de Cabo Verde ou de Portugal era o ideal no Brasil. Você tem um presidente, que é chefe de Estado e um primeiro-ministro que governa. O Governo perde apoio ou vai mal, troca o Governo. Isso num país presidencialista é sempre traumático”, disse José Serra.

O ministro brasileiro falava aos jornalistas, na cidade da Praia, após um encontro com o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva.

“Parte dos problemas que o Brasil tem decorrem do sistema político presidencialista puro e do sistema eleitoral, que é bastante ineficiente. Num regime semipresidencialista ou semiparlamentarista, a troca de Governo é uma solução, no presidencialismo é um problema”, sublinhou Serra.

O ministro, que fez uma paragem de 12 horas em Cabo Verde a caminho de Paris, onde irá acompanhar a reunião do conselho de ministros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a 1 e 2 de junho, classificou esta visita como uma “primeira aproximação” a África.

“Assumi o Ministério das Relações Exteriores há duas semanas e é o segundo país que visito, depois da Argentina. Fiz questão de vir a Cabo Verde como um primeiro contacto com a África. É um país que consideramos interessante, que tem boa governabilidade, uma democracia consolidada, um regime exemplar”, disse José Serra.

O ministro sublinhou, também, a forte cooperação existente entre o Brasil e Cabo Verde, garantindo que essa cooperação é para reforçar, numa altura em que o seu Ministério tem em estudo um plano que prevê o encerramento de algumas embaixadas brasileiras, nomeadamente em África.

A visita pretende ser uma demonstração de que relações com o continente continuam prioritárias na política externa brasileira.

Cabo Verde é parceiro da cooperação brasileira e beneficiário do programa de ensino que, desde 2000, possibilitou o envio de quase 3 mil estudantes cabo-verdianos para universidades brasileiras.

Desde 2013, está também em atividade em Cabo Verde o Núcleo Missão Naval do Brasil, com o objetivo de auxiliar a formação de pessoal da Marinha cabo-verdiana.