“Se vos perguntasse qual é o país mais corrupto à face da Terra, talvez me dissessem que fosse o Afeganistão, talvez a Grécia, Nigéria, o sul de Itália, mas vou dizer-vos que é o Reino Unido”, afirmou o jornalista italiano Roberto Saviano no Festival Literário Hay, em Gales, citado pelo Independent.

Roberto Saviano tornou-se conhecido depois da publicação do livro “Gomorra”, que expõe a máfia napolitana e que já levou à condenação de vários dos seus membros. Agora, no festival literário, o jornalista acusou as instituições financeiras de permitirem um “capitalismo criminoso” graças a offshores (paraísos fiscais), escreveu o jornal britânico The Telegraph. Saviano alerta ainda que uma saída do Reino Unido da União Europeia poderia potenciar ainda mais a exposição do país ao crime organizado.

O Reino Unido está entre os 10 países menos corruptos, segundo os dados de 2015 da Transparency International – uma coligação contra a corrupção. Os três primeiros lugares são ocupados por: Somália, Coreia do Norte e Afeganistão. Portugal é o 28º país mais transparente.

“Não é a burocracia, não é a polícia, não é a política, mas o que é corrupto é o capital financeiro. 90% dos detentores de capital em Londres têm as sedes fora do país”, disse Roberto Saviano, citado pelo Independent. “[As ilhas] Jersey e Caimão são a porta de acesso ao capital criminoso na Europa e o Reino Unido é o país que o permite.”

O livro “Gomorra” já saiu há dez anos, mas o autor, Roberto Saviano continua a precisar de proteção pessoal – normalmente, sete guarda-costas e dois carros blindados, diz o escritor. Mesmo agora, depois de ter exposto, no último livro – “ZeroZeroZero” -, uma relação entre os cartéis de droga no México e a cidade de Londres, a maior ameaça continua a máfia napolitana, conforme disse numa entrevista à BBC.

Roberto Saviano reconhece que ele próprio se expôs ao revelar o seu nome verdadeiro nos livros e a sua cara em eventos públicos, conforme disse à BBC. Por um lado, assume como essencial mostrar quem é, mas, por outro, confessa que se voltasse atrás talvez tivesse sido mais cauteloso. “Considero que tenho sorte por ainda não ter sido morto. Quando começamos a falar destas histórias sabemos que temos a nossa vida em risco, sabemos que podemos ser mortos, mas o que mais nos assusta é a difamação”, disse o jornalista, citado pelo The Telegraph.