Os lucros da marca Volkswagen afundaram 86% no primeiro trimestre, caindo de 514 milhões para 73 milhões, num reflexo claro do impacto que o escândalo das emissões poluentes está a ter nas vendas da marca. O grupo Volkswagen, como um todo, conseguiu aumentar os lucros em 3%, graças a efeitos financeiros, mas os resultados não escondem as dificuldades que o grupo enfrenta. Ainda assim, o grupo Volkswagen reitera os seus objetivos para o ano de 2016 e promete uma reviravolta.

A Volkswagen está a perder quota de mercado, mensalmente, há quase um ano consecutivo. Mas graças a promoções a marca tem conseguido suportar o número de unidades vendidas — a custo dos resultados operacionais que, agora, sabe-se que afundaram para pouco mais de um décimo. A margem operacional na marca Volkswagen foi de 0,3%, o que fica muito aquém do objetivo de médio prazo de 6%.

“Os resultados da marca Volkswagen demonstraram que os resultados estão a ser demasiado baixos”, diz Sascha Gommel, um analista do Commerzbank citado pela Bloomberg. O especialista nota que “daqui para a frente, eles precisam de salvaguardar os preços, porque os custos na marca são relativamente elevados”.

O presidente-executivo do grupo Volkswagen, Matthias Mueller, garante que “2016 será um ano de transição para a Volkswagen, e teremos a Volkswagen a fazer um realinhamento fundamental do grupo”. Em meados de junho, a Volkswagen deverá dar a conhecer um plano plurianual, até 2025, com uma reestruturação estratégica do grupo, com aposta nos veículos elétricos e nos equipamentos eletrónicos.

Apesar das perdas da marca, o grupo conseguiu subir os resultados graças a um impacto cambial favorável das provisões que foram colocadas de parte para precaver custos relacionados com o escândalo. Foi feita uma provisão de 16 mil milhões de euros, após se ter descoberto que cerca de 11 milhões de carros em todo o mundo foram equipados com o kit fraudulento.