A Argentina pode ficar de fora da Copa América Centenário, edição comemorativa da competição que arranca a 3 de junho, nos Estados Unidos. É o que pode acontecer, em teoria, se a FIFA seguir o seu regulamento e punir a equipa por intervenção política do governo no funcionamento da federação de futebol do país.

Segundo relata o jornal El Clarín, a Inspeção Geral de Justiça decidiu, esta segunda-feira, intervir na Associação de Futebol Argentino (AFA) e adiar as eleições para a presidência da entidade devido a denúncias de irregularidades administrativas e económicas. A justiça argentina definiu que o novo pleito deverá acontecer a 6 de outubro — e não a 30 de junho como estava previsto — e nomeou Luis Tozzo e Catalina Dembitzky, um advogado e uma contabilista, para liderar a federação de maneira interina durante este período. Como consequência, a FIFA pode excluir a Argentina da Copa América Centenário e a equipa Boca Juniors da Taça Libertadores da América.

O Comité Executivo da Associação de Futebol da Argentina vai reunir-se esta terça-feira para determinar as ações que serão tomadas após a decisão do governo. No entanto, já afirmou que o processo eleitoral será mantido porque a decisão judicial “não tem sustentação”. “Esta normalidade do caminho institucional já prevista, aprovada e oficializada oportunamente não se interrompe pela decisão recente da IGJ [Inspeção Geral de Justiça], uma vez que a mesma não tem sustentação”, explicou Damián Dupiellet, secretário executivo da Presidência da AFA, em entrevista à rádio La Red.

Segundo conta o jornal El Clarín, o motivo da intervenção do governo seria por questões políticas relacionadas com o presidente da Argentina, Mauricio Macri. Até ao momento, há quatro candidatos inscritos: Claudio Tapia, Hugo Moyano, Armando Pérez e Marcelo Tinelli. A publicação descreve que Macri não vê com bons olhos que a AFA seja presidida por Tapia ou Moyano. O seu apoio seria de Daniel Angelici, dirigente do Boca Juniors, considerado um “homem de confiança” do líder do país. Macri presidiu o Boca Juniors entre 1995 e 2007.

Segundo fontes ouvidas pelo site GloboEsporte, a possibilidade de a Argentina ficar de fora da Copa América Centenário é pequena pois seria necessária a apresentação de uma denúncia oficial à FIFA para que fossem realizadas investigações. Ao término do processo, os membros do Conselho do organismo internacional de futebol tomariam alguma decisão, provavelmente já finalizada a competição.

É de salientar, contudo, que a exclusão de um país de uma competição internacional não é algo inédito. No Congresso da FIFA realizado este mês na Cidade do México, foi ratificada a suspensão do Kuwait e do Benin por intervenções políticas nas suas federações de futebol.