O BCP perdeu mais de 20% do valor bolsista no mês de maio e, no primeiro dia de negociação de junho, fechou a cair mais de 10% (face ao preço de ontem). Uma das possíveis justificações para a queda das ações, que estão nos níveis mais baixos dos últimos quatro anos, é uma nota do Goldman Sachs que diz que o BCP é um dos bancos mais vulneráveis ao risco de um aumento de capital que apanhe os investidores surpreendidos, como o que fez o espanhol Banco Popular nos últimos dias.

Na sessão de terça-feira, a última do mês de maio, “rodou” na bolsa quase 3,5% de todo o capital bolsista do BCP. Ao cabo desta sessão com elevado volume, e que terminou com uma descida das ações, o Jornal de Negócios noticiou que o BCP já está a analisar informação financeira confidencial do Novo Banco. Não sendo novidade que o BCP está interessado, caso possa, em participar na corrida pelo Novo Banco, a informação avançada pela publicação consolida o seu estatuto como um dos possíveis compradores do Novo Banco.

Apesar dessa notícia, na sessão desta quarta-feira as ações voltaram a fechar em forte queda, a perder 10,8%, e a Bloomberg citou uma nota de análise do Goldman Sachs que coloca o BCP num grupo de bancos europeus que podem vir a anunciar um aumento de capital que apanhe o mercado desprevenido.

Foi isso que aconteceu com o espanhol Banco Popular. Sem que tenha havido qualquer tipo de indicação prévia, nem alertas de analistas, o banco espanhol decidiu anunciar um aumento de capital de 2,5 mil milhões de euros. Qualquer aumento de capital tem o efeito de diluir o valor das ações existentes, pelo que as ações do Popular foram muito castigadas nos últimos dias.

Ações do BCP sob forte pressão em bolsa

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Para o Goldman Sachs, contudo, é possível fazer um exercício que antecipe quais bancos estarão em maior risco de terem de fazer o mesmo que o Popular. O banco espanhol invocou as condições operacionais “complexas”, marcadas pelas taxas de juro em valores negativos, para fazer esse reforço de capitais e ajudar a tornar o banco mais resistente a possíveis reajustes (desfavoráveis) do valor da carteira de ativos, presumivelmente imobiliário.

Para atrair os investidores ao aumento de capital, o Popular definiu um preço de 1,25 euros por cada nova ação, o que representa um desconto elevado face aos mais de 2,30 euros a que a ação negociava antes do anúncio.

Os “mais expostos” a riscos similares, de acordo com um rácio usado pelo Goldman Sachs, são o BCP, o Bank of Ireland e um conjunto de bancos italianos: Monte Paschi, Populare Milano, Popular Emilia e UBI. Há um segundo conjunto de bancos mais vulneráveis, os italianos UniCredit, Intesa Sanpaolo e o Sabadell (acionista do BCP). Além destes, o Goldman nota ainda que o BPI e o francês Société Générale “não ficam muito atrás” no rácio.

Entretanto, o Jornal de Negócios noticiou que as ações do BCP foram excluídas do índice MSCI Global, um índice acionista relevante para os investidores internacionais, o que poderá ajudar a explicar a pressão sobre as ações. Por ser uma empresa com capitalização cada vez mais baixa, a MSCI decidiu, de acordo com os seus critérios, transferir o BCP para um índice secundário de empresas de menor capitalização — o MSCI Small Cap.