Mede 57 quilómetros, as suas galerias estendem-se por 150 quilómetros, tem um diâmetro de 9,5 metros, demorou 17 anos a ser construído, custou 11 mil milhões de euros, passa por debaixo dos Alpes, chama-se Túnel de São Gotardo e é o maior túnel do mundo. É mais do que viajar entre Lisboa e Torres Vedras debaixo de terra, ou do Porto a Estarreja.

O túnel que liga Zurique, a maior cidade suíça, a Milão, em Itália, vai conseguir reduzir o tempo de viagem entre as duas cidades em uma hora. Até agora, a viagem demorava cerca de três horas e meia para completar, com o túnel durará duas horas e meia.

Segundo informa o jornal inglês The Guardian, os líderes europeus esperam que este túnel possa servir como uma lembrança de que o continente europeu ainda tem capacidade para destruir barreiras e manter-se unido. Esta será umas das razões que levaram a que a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, tenham tirado tempo da sua agenda para se juntarem a Johann Schneider-Ammann, o presidente da Suíça, na viagem inaugural de comboio pelo túnel. Esta viagem inaugural levará os líderes europeus de Erstfeld a Bodio, na Suíça, um percurso de 66 quilómetros que será completado em 17 minutos.

Ao todo, foram convidadas 1.200 pessoas para testemunhar a inauguração do túnel ferroviário que se vai destinar ao transporte de passageiros e mercadorias. Os comboios de mercadorias (que transportarão camiões, para diminuir os efeitos poluentes da viagem entre Suíça e Itália através dos Alpes) vão circular a 160 km/h – o dobro da velocidade atual – e os comboios que transportarem passageiros vão circular a 250 km/h.

O túnel que passa por baixo da montanha de São Gotardo estende-se por mais 3 quilómetros do que o anterior recordista, em termos de comprimento — o túnel de Seikan, no Japão, que liga as duas maiores ilhas japonesas: a ilha de Honshu e de Hokkaido. O túnel tem dez vezes o tamanho do túnel do Marão, que se estende por 5,7 quilómetros.

O túnel terá estações subterrâneas ao longo do percurso e terá também túneis de evacuação com ligações a outras vias férreas e às autoestradas que existem à superfície.

O processo de construção foi fascinante e há fotografias que o comprovam.