“Que Famílias!”

Jerôme (Mathieu Amalric) vive e trabalha há mais de dez anos em Xangai, e namora uma colega chinesa. Um negócio trá-lo de novo à Europa, e ao passar por Paris para ver a mãe e o irmão, descobre que a casa da família na província está no centro de uma desagradável controvérsia. Este é apenas o oitavo filme de Jean-Paul Rappeneau numa brilhante carreira de 50 anos em que começou por ser argumentista para Louis Malle, Alain Cavalier ou Philippe de Broca, passou à realização nos anos 60 e dirigiu a nata dos atores e atrizes franceses (Deneuve, Montand, Adjani, Depardieu, Belmondo, Noiret, Binoche, etc.) em grandes filmes como “Os Noivos da Revolução”, “Escândalo no Castelo”, “Cyrano de Bergerac” ou “O Hussardo no Telhado”. O cineasta dá-nos agora uma inatacável, trepidante e melancólica comédia em família, modelo acabado do cinema dito “popular e de qualidade”, que muitos reivindicam mas poucos são capazes de fazer. E ninguém hoje no cinema francês o faz melhor que Rappeneau, orquestrando com mão de mestre um elenco que inclui ainda Nicole Garcia, Gilles Lellouche, Karin Viard, André Dussolier ou Marine Vacth.

“Pais e Filhas”

Desde que Will Smith o trouxe para os EUA em 2006 para o dirigir, e ao filho Jaden, em “Em Busca da Felicidade”, que o italiano Gabriele Muccino se tem dividido entre a Itália e os EUA. Neste seu novo filme por terras americanas, o autor de “O Último Beijo” junta Russell Crowe e Amanda Seyfried na história de Jake Davis, um pai viúvo e romancista, vencedor de um Pulitzer, e da sua filha Katie. Jake procura criá-la o melhor possível após ter estado internado um ano na sequência de um colapso nervoso, e tirá-la da guarda do irmão e da cunhada, que a querem adotar invocando o seu instável estado mental. Crowe, Seyfried e outros atores tão respeitáveis como Diane Kruger e Bruce Greenwood enfrentam com bravura profissional um argumento que esguicha lamechice da mais descarada e pegajosa em jato contínuo, e são obviamente derrotados. E Muccino nunca chega a explicar por que cargas de água é que uma rapariga que perde a mãe num desastre de automóvel e fica sozinha com o pai se torna sexualmente promíscua quando cresce.

“Angry Birds – O Filme”

Os finlandeses da Rovio, a empresa criadora, em 2009, do jogo de telemóvel “Angry Birds”, que entre outros produtos já deu origem a um jogo de vídeo e a duas séries de animação televisiva, querem agora, aliados à Sony, competir com a Disney/Pixar, a DreamWorks ou a Fox, e o seu trunfo é “Angry Birds – O Filme”, uma longa-metragem de animação digital e em 3D. A fita encaixa e formata o jogo numa narrativa de animação acelerada, multicolorida e barulhenta, com personagens um bocadinho mais desenvolvidas (os pássaros agora têm pernas, falam e dominam a arte da ironia – pelo menos Red, a personagem principal -, embora continuem a não conseguir voar), “gags” e diálogos cómicos, e semeia a história com suficientes referências, trocadilhos e piscadelas de olho à cultura pop para atrair também os adultos e não só os mais novos. “Angry Birds – O Filme” é o filme da semana do Observador, e pode ler a crítica aqui.