“Fiquei verdadeiramente comovido pela calorosa e cordial receção que foi feita à delegação da Federação Russa que visitou o vosso país”. Quem fala — ou escreve — é Vladimir Putin, o Presidente russo, que esteve em Atenas e noutros locais da Grécia no final da semana passada para uma visita de dois dias. Putin diz que a Rússia e a Grécia não são apenas “velhos parceiros, mas também velhos amigos“.

O Presidente russo regressou ao seu país com a “certeza” de que a visita de dois dias à Grécia serviu para fortalecer o espírito de “entendimento mútuo e confiança entre as nossas duas nações”. A declaração surge numa carta que Putin enviou ao jornal Kathimerini e que este publicou nesta quarta-feira.

Putin fez questão de frisar, na carta, que as conversas que foram tidas mostraram que a Grécia e a Rússia estão “em harmonia” no que diz respeito aos “temas” que foram discutidos. A “harmonia” e a “amizade” que, na opinião de Putin, marcavam a visita, “devem-se à tradição que dura há séculos de afinidade cultural e espiritual entre os nossos povos”.

Do que se sabe sobre os temas concretos em discussão, Putin terá voltado a assumir o seu interesse em que a Rússia compre a operadora nacional de ferrovia, a Trainose, e uma participação no capital do segundo maior porto de comércio da Grécia, em Salónica.

Tsipras recebeu Putin no final da semana passada, poucos dias depois de a Grécia ter recebido um ok preliminar à primeira avaliação do terceiro resgate. Sabe-se, entretanto, que por esses dias o governo grego estava a enviar uma carta aos credores europeus e ao FMI a avisar que algumas das medidas acordadas dias antes não poderiam ser cumpridas. No auge das tensões entre a Grécia e os credores europeus, no verão passado, Tsipras esteve várias vezes em contacto com Vladimir Putin, no que foi lido como uma forma de pressionar os parceiros europeus e obter melhores condições para o que viria a ser o terceiro resgate.