“Bombas” como o Lamborghini Gallardo, o Ferrari F430, o Jaguar XKR-S, o Porsche Panamera Turbo S e o BMW M4 já tinham sido ultrapassados em Nürburgring por modelos mais acessíveis. O primeiro a acabar com a dinastia das “grandes máquinas” foi o Renault Mégane R.S. 275 Trophy-R, que em 2014 elevou a fasquia para 7m54s36, tempo que viria a ser superado em 2015 pelo Honda Civic Type R (7m.50s63). Em 2016, a marca para automóveis de tracção dianteira de produção em série voltou a baixar (7m49s21) no circuito alemão, pela mão da Volkswagen, que produziu uma série limitada do Golf GTI Clubsport S para celebrar os 40 anos do Golf GTI – o modelo que deu origem ao hoje tão popular conceito de desportivo compacto.

O motor ao serviço do novo desportivo é o 2.0 Turbo da marca e deriva do que equipa o Golf R, fornecendo 10 cv adicionais. Mas, ao contrário deste, o Clubsport S não recorre à transmissão integral, apenas à tracção às rodas da frente, opção com que a marca procurou não só ganhar peso, como tornar o comportamento mais eficaz em condução desportiva, sobretudo em piso seco. A caixa é a habitual do GTI, manual com seis velocidades, com a DSG automática de dupla embraiagem a não estar disponível, pois se por um lado incrementava o peso do conjunto, por outro não estava tão à vontade numa utilização extrema quanto a que se pretendia para o modelo candidato ao título do desportivo mais rápido da sua classe na pista germânica.

O Clubsport S recorre apenas à tracção às rodas da frente, opção com que a marca procurou não só ganhar peso, como tornar o comportamento mais eficaz em condução desportiva

O Clubsport S recorre apenas à tracção às rodas da frente, opção para poupar peso e tornar o comportamento mais eficaz em condução desportiva

A dieta que orientou as opções mecânicas prolongou-se ao habitáculo, de onde desapareceu o banco traseiro, os tapetes e a maioria do isolamento acústico, transformando este GTI praticamente num modelo de competição. Se perdeu peso de um lado, ganhou por outro, pois passou a usufruir de reforços a ligar os topos das suspensões e um arco de protecção, já que as tentativas de recorde em Nürburgring nem sempre têm um final feliz. O resultado é um peso de 1360 kg, ou seja, menos 12 kg do que o GTI Performance com 230 cv e menos 116 kg do que o Golf R.

Anunciando 265 km/h de velocidade máxima, o mais possante dos GTI assume uma clara vantagem em relação aos seus irmãos, todos eles limitados electronicamente a 250 km/h, batendo-os também nas acelerações de 0 a 100 km/h, fasquia que atinge ao fim de 5,8 segundos – melhor pois do que os 6,4 segundos das versões com 230 cv, mas menos impressionante do que os 5,1 do Golf R (4,9 com DSG) que, nesta matéria, impõe a sua maior tracção graças ao sistema 4Motion.

A série limitada do Golf GTI Clubsport S celebra os 40 anos do Golf GTI – o modelo que deu origem ao hoje tão popular conceito de desportivo compacto

A série limitada do Golf GTI Clubsport S celebra os 40 anos do o modelo que deu origem ao conceito de desportivo compacto

O controlo de tracção e os parâmetros das suspensões adaptativas foram ajustados às necessidades, com o Clubsport S a usufruir agora de mais camber negativo, fundamental para quem visa bater a concorrência no Inferno Verde – assim é denominado o traçado de Nürburgring, que está rodeado por uma região densamente florestada e foi banido da F1 após o acidente que quase vitimou o austríaco e tricampeão do mundo Niki Lauda, quando o seu Ferrari se incendiou após um despiste no Grande Prémio de 1976.

A última arma no arsenal do recordista foram os pneus, com a VW a depositar confiança nos Michelin Sport Cup 2, montados em jantes de 19”de diâmetro, cuja borracha abre mão da longevidade em troca da máxima aderência.