As Forças Armadas de Cabo Verde anunciaram esta quinta-feira que o inquérito para apurar eventuais falhas no funcionamento do posto militar de Monte Txota, onde foram encontradas 11 pessoas mortas, está concluído e já foi entregue ao Governo.

“O inquérito já está elaborado e já está entregue” ao Ministério da Defesa, disse o comandante da Guarda Nacional, coronel Jorge Andrade, adiantando que o documento foi entregue na semana passada.

A investigação foi mandada instaurar na sequência da descoberta, a 26 de abril, dos corpos de oito militares e três civis no Destacamento Militar de Monte Txota, concelho de São Domingos, interior da ilha de Santiago.

O suspeito das mortes é um militar do mesmo destacamento, Manuel António Silva Ribeiro, 22 anos, que se encontra detido no Estabelecimento Prisional Militar a aguardar julgamento.

Os corpos terão sido encontrados mais de 24 horas depois da hora provável das mortes, o que levantou dúvidas sobre o funcionamento do posto e as rotinas de contacto com o comando.

Na sequência dos acontecimentos, as chefias militares puseram o lugar à disposição não tendo até ao momento sido substituídas.

O comandante da Guarda Nacional, que falava esta quinta-feira aos jornalistas em conferência de imprensa, disse não poder avançar nada sobre as conclusões a que chegou o referido inquérito.

Adiantou ainda que o suspeito das mortes no posto militar está na “prisão com todas as condições de segurança”, a ser seguido por todo o “aparelho necessário” e com apoio psicológico.

A investigação às mortes encontra-se ainda em “fase de diligências”, segundo Jorge Andrade.

O promotor militar Job Nascimento, também presente na conferência de imprensa, mostrou-se convicto de que o prazo de 90 dias para instruir o processo e deduzir a acusação será “estritamente cumprido”, mas ressalvou que se houver necessidade poderá ser feito um pedido de prorrogação.

A conferência de imprensa das Forças Armadas surgiu depois de um jornal local ter noticiado, na quarta-feira, que o suspeito das mortes de Monte Txota tinha fugido da prisão e se encontrava a monte.

A notícia tinha entretanto sido desmentida pelas Forças Armadas, que exigiram um pedido de desculpas da publicação e admitem avançar com um processo contra o jornal.

Já esta quinta, o referido jornal, reconheceu ter errado ao publicar a notícia, justificando com “uma imprecisão grave de uma fonte”.