A oposição da Venezuela fica a saber se as autoridades eleitorais do país aceitam ou não os 1,8 milhões de assinaturas recolhidas a favor de um referendo sobre o afastamento do presidente Nicolas Maduro.

Hoje à tarde terá lugar uma reunião entre os representantes da Mesa para a Unidade Democrática (MUD), a coligação que tem maioria no parlamento venezuelano, e o Conselho Nacional Eleitoral do país sobre a validação ou não das assinaturas, com o país em suspenso e em risco de uma “explosão social” em caso de rejeição, escreveu hoje a agência France Presse.

De acordo com a agência, a Venezuela está “à beira da implosão” desde a vitória dos partidos anti-chavistas nas legislativas de dezembro, algo que aconteceu pela primeira vez em 17 anos (Hugo Chávez foi presidente de 1999 a 2013 e o seu “delfim”, Nicolas Maduro, desde então). Nas ruas da Venezuela “multiplicam-se os linchamentos e as pilhagens”, resultado de um país produtor de petróleo com a economia devastada e no qual “falta de tudo (farinha e medicamentos)”.

A oposição venezuelana, num braço de ferro com o governo para forçar a renúncia de Nicolas Maduro, alertou na quarta-feira para o risco de uma “explosão social” se o referendo for adiado.

“A pressão social na Venezuela chegaria a níveis imprevisíveis”, realçou o vice-presidente do parlamento Enrique Marquez, para quem apenas a “válvula de escape” do referendo poderia fazer descer a temperatura.

No entanto, a oposição tem o tempo contra ela. Os anti-chavistas exigem que a consulta se realize até 10 de janeiro de 2017, para que haja tempo de se convocar novas eleições. Caso contrário, Nicolas Maduro seria apenas substituído pelo seu vice-presidente.

Mesmo que as autoridades eleitorais, acusados de estar a fazer o jogo do presidente ao atrasar o processo, validem hoje as 200 mil assinaturas necessárias (de um total de 1,8 milhões recolhidas pela oposição) esse será apenas o primeiro passo de um longo processo rumo ao referendo.

Em primeiro lugar, os primeiros signatários do pedido deverão confirmar em pessoa, e por impressão digital, a sua escolha.

O MUD deverá então reunir 20% do eleitorado venezuelano (quase quatro milhões de votos) para que o referendo se realize. Finalmente, para que Nicolas Maduro seja afastado da presidência, essa opção terá de obter mais votos do que este obteve nas eleições de 2013 (ou seja, cerca de 7,5 milhões de votos).

As sondagens indicam que sete em cada dez venezuelanos querem o afastamento do presidente Maduro.

Os partidários do governo de Nicolas Maduro acusam a oposição de incluir nas assinaturas pró-referendo mais de dez mil nomes de pessoas que já morreram.