O PS vai permitir que as propostas do CDS sobre o envelhecimento ativo e a proteção dos idosos baixem às respetivas comissões parlamentares para serem analisadas em maior detalhe. Este é um sinal de que os socialistas estão, no mínimo, abertos ao diálogo sobre o tema, no sentido de encontrarem consensos. Os deputados debateram o tema esta quinta-feira, na Assembleia da República.

A abertura para avaliar as propostas na especialidade foi reconhecida logo no arranque do debate, pela deputada do PS, Elza Pais. Ainda assim, a socialista não deixou de perguntar ao CDS “onde estiveram nos últimos quatro anos”, quando as medidas de austeridade afetaram negativamente as condições de vida dos mais velhos.

Para os centristas, conseguir que as propostas não sejam imediatamente chumbadas na generalidade, como aconteceu com quase todos os diplomas que o CDS apresentou para promover a natalidade, é já um avanço. Assunção Cristas tem frisado a importância de atender aos pedidos do Presidente da República e procurar consensos. Aliás, segundo o Expresso a líder do CDS terá mesmo sensibilizado diretamente o primeiro-ministro.

De entre as sugestões apresentadas pelo CDS, destaca-se a proposta de conjugar a reforma com trabalho a tempo parcial. A ideia será permitir que os trabalhadores que estejam a um ano da idade legal da reforma possam continuar a trabalhar, mas a tempo parcial, tendo como contrapartida o compromisso de se manter no ativo por mais um ano do que o previsto. A possibilidade de conjugar o início da reforma com o trabalho em part-time conta também do Programa do Governo, o que sinaliza a possibilidade de se encontrar um entendimento sobre a matéria.

A abertura para o diálogo foi manifestada nos contactos das últimas 24 horas entre PS e CDS, a nível parlamentar. Ao que o Observador apurou, terá sido acordado uma espécie de armistício político no sentido de dar espaço para a apreciação das propostas, até ao arranque do debate. A ideia seria não fazer declarações bélicas e não discordar logo à partida.