O Ministério das Finanças defendeu esta sexta-feira que a recente estimativa da UTAO para o primeiro trimestre de 2016 “confirma uma execução rigorosa”, afirmando que ela demonstra uma “redução muito significativa” do défice em termos homólogos.

Numa nota sobre a execução orçamental até abril, a que a agência Lusa teve acesso, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) estima que o défice tenha atingido os 3,3% do PIB no primeiro trimestre deste ano em contas nacionais, as que contam para Bruxelas, considerando que essa previsão “coloca desafios” ao Governo para o resto do ano.

“A recente estimativa da UTAO sobre a execução orçamental confirma a execução rigorosa das finanças públicas por parte do Governo”, contrapõe o ministério liderado por Mário Centeno, numa reação enviada à Lusa.

Na nota, o ministério compara a estimativa dos especialistas que apoiam a Assembleia da República com o valor do défice registado pelo INE no final do primeiro trimestre do ano passado, que foi de 5,5% do PIB: “A confirmar-se, este valor traduz uma redução muito significativa de 2,2 pontos percentuais”.

As Finanças citam também as estimativas da UTAO quanto ao valor do défice até abril em contas nacionais. Os técnicos apontam para um défice de 2.217 milhões de euros no conjunto dos primeiros quatro meses do ano, o que representa uma melhoria de 943 milhões face ao período homólogo de 2015.

“Note-se que o objetivo orçamental de 2,2% para 2016 requer uma melhoria anual total de 1.075 milhões de euros”, afirma o Ministério.

“Os bons resultados confirmam a mensagem de execução orçamental que o Governo tem transmitido, continuando o executivo comprometido com uma gestão orçamental rigorosa ao longo do ano para atingir as metas definidas”, termina.

Na nota enviada à Lusa, o Ministério das Finanças não se refere ao desvio desfavorável que, segundo a UTAO, “coloca desafios à execução orçamental para os próximos trimestres”, até “num contexto em que poderá vir a materializar-se um crescimento do PIB inferior ao projetado pelo Ministério das Finanças”.

Também não comenta os números da UTAO que concluem que, para que a economia portuguesa cresça este ano ao ritmo de 1,8% projetado pelo Governo terá de avançar, em média, 0,9% em cadeia nos restantes trimestres do ano.