Eduardo Cabrita, ministro Adjunto de António Costa, reconhece que Portugal foi obrigado a rever o seu projeto inicial de Orçamento, mas destaca uma conquista do atual Governo: “Temos as instituições europeias a acreditar que teremos o défice abaixo de 3%. Estamos a discutir décimas”.

Daí que argumente, numa entrevista ao Observador, que independentemente da pressão de Bruxelas para que sejam apresentadas medidas alternativas, o Executivo não tem necessidade de avançar, por agora, com medidas adicionais. “Na despesa estamos perfeitamente dentro dos limites”, assegura, “no quadro da receita é cedo ainda” para avaliar.

Para o governante, os resultados orçamentais e a avaliação que a Comissão Europeia faz do caminho orçamental que o Executivo está a percorrer é uma diferença essencial face ao que aconteceu com o anterior Governo PSD/CDS, cujas políticas de austeridade acabaram por resultar numa meta de défice falhada. Ainda assim, defende, “não faz sentido no quadro atual a aplicação de sanções”.

Eduardo Cabrita reconhece que era natural que houvesse “dúvidas de substância” sobre a solução governativa encontrada, dependente do apoio do BE, PCP e Os Verdes. Mas para o governante, o que se pode dizer é que a geringonça “tem ultrapassado os sucessivos testes a que foi sujeita.” E mais:

A direita é que tem estado fora do tempo do que é o debate nacional”, critica, “designadamente o PSD”.

Cabrita traça, aliás, uma diferença entre os sociais-democratas e os centristas: “O CDS já fez o luto”. O ministro Adjunto nota que o partido liderado por Assunção Cristas faz “o que é normal e desejável” num partido de oposição: apresenta propostas alternativas “que devem ser ponderadas”, como acontecerá no caso das medidas para promover o envelhecimento ativo”.