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Nos bastidores chamam, na brincadeira, “mercearia” ao processo de elaboração das listas aos órgãos nacionais. É o que concentra as atenções, nos bastidores do Congresso, dos líderes distritais e concelhios, mas também dos dirigentes nacionais, incluindo a direção que está a ultimar a lista à Comissão Nacional do partido que tem de entregar este sábado, até às 21h30. A principal questão era se António costa integraria os críticos. A resposta começa a aparecer e neste momento há um fora — Francisco Assis — e outro dentro — Sérgio Sousa Pinto.

Francisco Assis foi claro, na resposta ao Observador sobre se vai estar na lista de António Costa para a Comissão Nacional (o órgão máximo de decisão do partido entre congressos): “Não, não vou”. E esclareceu que, até agora, também não teve qualquer convite nesse sentido. Como eurodeputado, Assis pode participar nas reuniões da Comissão Política Nacional, quando chamado pelo líder do partido.

O socialista também ficou fora das listas dos órgãos nacionais no último congresso do PS (o primeiro de Costa como líder), em que saiu em rutura por considerar que o partido estava demasiado à esquerda e por a sua intervenção ter sido remetida para horas tardias. Desta vez, o socialista já estava inscrito para falar mesmo antes de entrar no Congresso, a que chegou hoje ao fim da manhã a dizer que quer discursar para “dizer aos militantes aquilo que já disse ao país” — que é contra a coligação de esquerda e porquê.

Sérgio Sousa Pinto, outro crítico da geringonça — que o fez até demitir-se da direção de Costa, logo no pós-eleições, está ao contrário: não vai falar ao Congresso, mas aceitou entrar nas listas.

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Foi o próprio que o anunciou, à entrada do Congresso, tendo explicado que foi convidado pela secretária-geral adjunta do PS para integrar a lista à Comissão Nacional do partido e aceitou no que considera “um gesto significativo”. O deputado socialista explicou mesmo que quando o convite foi feito por Ana Catarina Mendes foi “invocado o interesse do partido”.

Já sobre o facto de não falar no Congresso, Sousa Pinto argumentou que os militantes “sabem exatamente” o que pensa, não se alongou mais sobre as razões por que discorda da atual solução governativa — que tem criticado abertamente — e também não o fará perante os militantes socialistas reunidos na FIL porque “não o conseguiria fazer satisfatoriamente em dois minutos”.

Já Assi, aos jornalistas, à entrada do pavilhão da FIL, desdramatizou o facto de não ter um expressivo apoio interno à sua posição, dizendo que “a solidão política é um preço que às vezes se tem de pagar. Tenho as minhas convicções, tenho a obrigação de me debater por elas”.

Assis também garante não ter a “intenção de marcar posição para o futuro. No presente esta é a minha responsabilidade”. Também explicou que considera que neste momento “não havia condições” para disputar a liderança de António Costa, justificando por que não o fez quando tem uma orientação política diferente para o PS. O socialista garante só estar no Congresso para “dar testemunho” e “fazer a antecipação” do que considera poder vir a acontecer se o PS seguir a estratégia de colagem à esquerda.