Rádio Observador

Macau

Macau desiste de entregar reconstrução de Hotel Estoril a Siza Vieira por ajuste direto

O Governo de Macau desistiu de entregar por ajuste direto o projeto de reconstrução do antigo Hotel Estoril ao arquiteto português Álvaro Siza Vieira, por ter decidido abrir um concurso público.

JOAO RELVAS/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O Governo de Macau desistiu de entregar por ajuste direto o projeto de reconstrução do antigo Hotel Estoril da cidade ao arquiteto português Álvaro Siza Vieira, por ter decidido abrir um concurso público.

Segundo afirmou o secretário que tutela a Cultura no Governo de Macau, Alexis Tam, o arquiteto português já foi informado da decisão e será convidado a participar no concurso público.

“Vai ser convidado, em vez de ser adjudicação direta. [O ajuste directo está] de acordo com a legislação. Só que isso foi a ideia do ano passado. Hoje em dia, a situação é diferente porque muitos arquitetos querem concorrer. No fim, é uma questão política”, afirmou Alexis Tam, citado hoje pela Rádio Macau.

Segundo o secretário, “em Macau também há bons arquitetos”, um concurso público é “mais transparente”.

O Governo de Macau convidou Siza Vieira em abril do ano passado para reconverter o edifício do antigo Hotel Estoril num centro de artes e escolas artísticas direcionado para os jovens.

O arquiteto português defendeu publicamente a demolição e a não manutenção da fachada do edifício, associado ao início da exploração de casinos pelo magnata Stanley Ho e, portanto, à história da maior indústria do território.

Surgiu então um debate sobre a requalificação do edifício, que está abandonado desde os anos de 1990, e o seu eventual valor patrimonial e histórico, tendo o Governo de Macau lançado uma consulta pública e encomendado um inquérito.

Em setembro, a associação de urbanistas de Macau Root Planning lançou uma petição para pedir a avaliação do valor patrimonial do antigo hotel Estoril e piscina adjacente.

A 15 de março deste ano, o Conselho do Património Cultural de Macau decidiu que o edifício não será classificado.

Um dos conselheiros, o arquiteto Carlos Marreiros, disse nesse dia aos jornalistas que foi recolhida “muita informação e documentação” pelas autoridades e pelo Conselho e que a estrutura que existe atualmente, na praça do Tap Seac, no centro de Macau, é o resultado de acrescentos a uma construção modernista original dos anos de 1950 que “tinha grande qualidade”.

No entanto, “tudo isso se desfez” a partir do início dos anos de 1960, quando Stanley Ho ganhou a concessão do jogo em Macau e iniciou essa atividade no Hotel Estoril, com o edifício original a ser acrescentado e a ter “várias versões” desde então.

“O que resta hoje é um somatório de um edifício com vários postiços sobre uma pré-existência que era bonita”, afirmou Carlos Marreiros, explicando que foi sofrendo adaptações até aos anos de 1990, “não tem qualquer qualidade” e está também “descaracterizado por dentro”.

“A equipa projetista” e o Governo têm agora liberdade para decidir o que fazer com a estrutura, incluindo com o mural que está na fachada, explicou.

Ao longo dos anos, foram vários os projetos pensados para aquele espaço, incluindo o acolhimento da Escola Portuguesa de Macau, mas todos foram abandonados.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)