O ex-presidente da SAD do União de Leiria admite que poderá ter incorrido num crime de fraude fiscal, mas nega as acusações de branqueamento de capitais, associação criminosa e falsificação de documentos que lhe são imputados pelo Ministério Público. Em entrevista a um jornal desportivo russo, Alexander Tolstikov critica a Justiça portuguesa por não ter provas dos crimes de que é acusado.

“O Ministério Público não encontrou qualquer prova”, diz Tolstikov ao Sovietski Sport, alegando que forneceu todos os dados necessários para provar a sua inocência. “Os documentos foram entregues ao tribunal, mas eram em inglês. O juiz disse que ele não conseguia ler documentos em línguas estrangeiras. E depois o tribunal não quis traduzi-los durante a audiência”, queixa-se o empresário.

Alexander Tolstikov entrou no capital da SAD do União de Leiria em 2014. Segundo o próprio, em abril de 2015, o empresário tentou ficar com 60% da SAD leiriense, mas o presidente do clube, Rui Lisboa, terá tentado impedir essa operação.

Além de deixar uma crítica velada a Rui Lisboa, Tolstikov aponta ainda o dedo a Pedro Violante, diretor financeiro do clube, também suspeito no âmbito da Operação Matrioskas. “Mais uma vez eu gostaria de enfatizar o seguinte: sou o investidor estrangeiro. Sem saber as especificidades do país, eu emprego especialistas locais, que me recomendam as pessoas. Confio-lhes o meu dinheiro, considerando que as transações financeiras são feitas conforme a legislação fiscal local. Mas estas pessoas cometem erros”, diz o empresário na entrevista.

Alexander Tolstikov está em greve de fome há alguns dias, em protesto contra aquilo que diz ser uma “injustiça”. “Como todas as pessoas, nós também temos só uma vida e, sendo inocentes como somos não aceitamos, nem podemos aceitar que, depois de um ano de investigação, nos prendam sem provas só para investigar”, escreveu o empresário numa carta aberta no sábado.

De acordo com o antigo patrão da SAD leiriense, detido no início de maio, depois de “duas noites em prisão solitária”, apareceram dois advogados para o representar. Um recusou-se de imediato. O outro “foi dissuadido pela mãe de 70 anos, que em lágrimas lhe implorou para que não se metesse com a máfia russa”, revela Tolstikov na entrevista.