André Macedo deixa a direção do Diário de Notícias menos de dois anos depois de ter assumido o cargo, a 15 de setembro de 2014. O jornalista deve abandonar as funções até agosto deste ano, não se sabendo ainda quem o substituirá no cargo. A notícia foi avançada pelo Expresso e confirmada pelo Observador.

A saída de André Macedo da direção do Diário de Notícias foi conhecida esta terça-feira e acontece uma semana depois de outra demissão na equipa: Nuno Saraiva, subdiretor do diário, saiu para assumir a posição de diretor de comunicação do Sporting.

Antes de suceder a João Marcelino na direção do Diário de Notícias, André Macedo fundou e dirigiu o site noticioso de economia Dinheiro Vivo (que pertence igualmente ao grupo Globalmedia e cuja edição semanal em papel era publicada pelos jornais DN e JN), integrou a equipa fundadora do jornal i, fez parte da direção do Diário Económico, tendo passado ainda pelo Record, Correio da Manhã, Sábado e Focus.

André Macedo tinha um um plano para o Diário de Notícias a dois anos, cujo ciclo só se completava em setembro (podendo prolongar-se até ao final deste ano). O jornal, que deixará o edifício histórico da Avenida da Liberdade em Lisboa depois do verão, renovou o site e ganhou leitores no digital, mas na edição impressa continuava a perder leitores. Existia igualmente uma queda de receitas comerciais, realidade que é transversal aos media tradicionais. Face a essa situação económica, o plano, editorial e comercial, teria agora de ser renovado, o que implicava a sua continuidade à frente do projeto por mais uns anos. Essa era a intenção da administração, que o convidou a continuar e a definir a estratégia para os próximos tempos, com as contenções orçamentais que o mercado exige aos media em geral e ao grupo em particular. A sua decisão foi a de sair.

Um comunicado do DN confirma que a decisão foi de André Macedo. “André Macedo, solicitou, por sua exclusiva iniciativa, a respetiva substituição como responsável editorial do título“, pode ler-se num comunicado interno da Global Media. Quanto ao desempenho do jornal, a empresa assegura que o título ultrapassou o Público no papel e na frente digital “tem conhecido uma assinalável crescimento” e que “do ponto de vista da sustentabilidade económica do título, registou-se igualmente uma considerável melhoria da performance do DN”.

Uma decisão acelerada pela saída de Nuno Saraiva, o elemento da direção com a tutela da política. A lacuna na direção, que obrigava a uma substituição rápida e difícil face às limitações na empresa, acabou por ser importante na antecipação dos prazos previstos por André Macedo e na opção tomada. O seu futuro não é ainda conhecido, mas André Macedo terá alternativas de trabalho.

Quanto ao Diário de Notícias, não existe ainda qualquer substituto escolhido. Macedo entregou a sua carta de demissão no final da semana passada, mas deixou em aberto a data de saída, que deveria acontecer até ao início de agosto. Com a notícia do Expresso, que apanhou de surpresa a redação (só a restante direção estava a par da saída), o processo acelerou.

O Diário de Notícias e o Público, os dois diários de referência da imprensa nacional, estão agora com diretores demissionários. Bárbara Reis também deixou a direção do jornal da Sonae, devendo abandonar as funções em novembro, não sendo também ainda conhecido o seu substituto.