Este domingo, um dia antes de se saber que um francês foi detido na Ucrânia por suspeitas de estar a preparar uma série de atentados terroristas durante o Euro 2016, François Hollande resumia assim a situação: “Ela existe, a ameaça”. A quatro dias de começar o torneio europeu de futebol, e com França a braços com greves de vários setores e inundações do Sena, a segurança é mais uma dor de cabeça a que as autoridades têm de dar atenção.

Até ao fim de julho mantém-se o estado de emergência no país, que já dura desde novembro do ano passado e que dá poderes excecionais às polícias. Durante o Euro, que arranca a 10 de junho e termina a 10 de julho, são esperadas cerca de sete milhões de pessoas para assistir a 51 jogos em dez cidades francesas. Para as pessoas responsáveis pela segurança do evento com esta dimensão, o desafio é imenso.

Além de terem de dar atenção aos estádios, onde os adeptos serão meticulosamente revistados, as autoridades terão de se preocupar igualmente com as fan zones, espaços de grande dimensão onde os adeptos de futebol poderão assistir aos jogos em ecrãs gigantes. Só a fan zone da Torre Eiffel, em Paris, tem capacidade para receber 90 mil pessoas. É também esse o número de agentes policiais que o Governo prometeu ter nas ruas durante a competição, em conjunto com seguranças privados e membros das Forças Armadas.

Além disso, os locais onde as 24 seleções vão estar hospedadas serão igualmente alvo de uma atenção especial. Em redor dos hotéis vai ser proibida a passagem de aviões e drones, para os quais, aliás, está a ser implementada tecnologia de dissuasão própria. As autoridades francesas encaram a seleção portuguesa como um potencial alvo de problemas, sobretudo devido à presença de um jogador tão valioso e mediático como Cristiano Ronaldo. A equipa de Portugal vai ser acompanhada por agentes da PSP e da GNR, que até têm autorização para disparar caso seja necessário.

O Euro 2016 não atrai só milhões de adeptos às cidades francesas, é também um evento transmitido em todo o mundo pela televisão. Por isso, trata-se de uma montra privilegiada para diferentes organizações terroristas. França teme mesmo que grupos como o Estado Islâmico ou a Al-Qaeda tentem realizar ataques fora do comum. Por exemplo, em vez de detonarem bombas dentro de um estádio, os terroristas podem tentar detoná-las ainda cá fora, antes de as multidões entrarem nos recintos.

A polícia francesa tem feito um conjunto de simulacros nos últimos meses. O último grande teste de segurança foi realizado na final da Taça francesa, entre o Paris Saint-German e o Marselha (4-2), disputada no estádio nacional de França. Estiveram presentes mil agentes da polícia no local, onde montaram dois controlos de segurança separados por 200 metros. Apesar dessas fortes medidas, o teste teve falhas e foram muitos os adeptos que conseguiram entrar no estádio com petardos, very lights, garrafas de vidro e outros objetos potencialmente perigosos.