O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) vai avançar para a greve caso a TAP não altere as condições de descanso dos tripulantes nas rotas de Boston e Nova Iorque, operadas pelos aviões cedidos pela Azul.

No final da assembleia geral, que decorreu esta terça-feira em Lisboa, o vice-presidente do SNPVAC, Nuno Fonseca, disse à Lusa que a via negocial se mantém aberta, mas o sindicato está mandatado para emitir um pré-aviso de greve se a TAP não aceitar melhorar as compensações face à qualidade do descanso nos novos aviões, que vão servir o mercado norte-americano.

Em cima da mesa está um período de descanso adicional para os tripulantes destes voos, sobretudo no destino, uma vez que “durante o voo não estão asseguradas condições de descanso, que tem muita importância”.

Em declarações à Lusa, Nuno Fonseca adiantou que as decisões dos associados vão ser comunicadas à TAP ainda esta terça-feira e, caso a administração mantenha a proposta apresentada na segunda-feira, o pré-aviso de greve avançará, o que poderá afetar a operação das novas rotas para os EUA, que começam a operar no sábado (Boston) e a 1 de julho (Nova Iorque).

Segundo o dirigente sindical, os dois Airbus A330 provenientes da Azul – Linhas Aéreas, propriedade do novo acionista da TAP, David Neeleman, têm quatro cadeiras para descanso dos nove tripulantes que asseguram estes voos e que, por norma, se dividem em dois grupos, faltando lugar para um dos elementos poder descansar.

Acresce que as cadeiras destinadas aos tripulantes nestes aviões estão separadas dos passageiros por uma cortina e não permitem o descanso horizontal a que têm direito.

Uma vez que a TAP não se mostrou disponível para alterar as especificidades técnicas dos aviões, o sindicato reclama mais tempo de descanso do que o praticado: “Não havendo o que está definido pelo acordo de empresa, por uma falha clara da empresa, achamos que tem que haver uma compensação”.

“Assim que soubemos que vinham os aviões da Azul, que foram apresentados como uma ótima oportunidade de negócio, começámos a alertar para o facto de não cumprirem as especificidades técnicas do acordo vigente desde 2006”, explicou à Lusa o vice-presidente do SNPVAC.

Contactada pela Lusa, a TAP não quis fazer comentários, uma vez que estão em negociações com o SNPVAC.