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O Banco de Portugal está mais pessimista quanto ao crescimento da economia portuguesa e cortou a projeção de evolução do produto interno bruto (PIB) em 2016 de 1,5% para 1,3%, menos meio ponto percentual do que o ritmo esperado pelo Governo. E diz que é provável que a economia venha a crescer menos ainda, considerando os riscos identificados. Economia portuguesa também deve crescer menos em 2017 e em 2018.

É mais uma previsão pessimista para o que se espera que seja a evolução da economia portuguesa este ano, pelo menos aos olhos da previsão que o Governo achou que não se justificava rever este ano.

Nas previsões para a economia portuguesa que publica esta quarta-feira, o Banco de Portugal explica que, na base desta revisão, está um maior pessimismo em relação à evolução da economia mundial, em especial do comércio internacional, que tem um impacto significativo nas exportações portuguesas. Juntamente com o investimento, a previsão é a de que as exportações tenham uma desaceleração significativa.

No caso do investimento, depois de um crescimento robusto em 2015 (3,9%), a expectativa é a de que praticamente não cresça este ano (0,1%). A expectativa do banco central é a de que o crescimento do investimento regresse em 2017, depois desta ‘pausa’ em 2016, e a um ritmo elevado: 4,3% em 2017 e 4,6% em 2018.

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Ainda assim, esta é uma das previsões mais pessimistas para o comportamento da economia portuguesa em 2016. Pior, só mesmo a perspectiva da OCDE, que espera que a economia portuguesa cresça apenas 1,2% durante este ano. O FMI aponta para 1,4% e a Comissão Europeia para 1,5%. O Governo destaca-se das principais organizações mantendo a previsão em 1,8%.

No próximo ano, as expectativas já estão mais alinhadas com as do Governo, mas ainda assim mais pessimistas. O Governo mantém uma previsão de crescimento igual à de 2016, de 1,8%, enquanto o Banco de Portugal espera que a economia cresça 1,6% (menos uma décima do que na previsão feita em março). Para 2017, FMI e OCDE são os mais pessimistas, esperando ambos que a economia cresça apenas 1,3%. A Comissão Europeia, a entidade que está mais próxima dos números do Governo, esperando que a economia cresça 1,7%.

Ainda assim, o Banco de Portugal alerta que existem riscos importantes para a previsão que apresenta hoje e isso significa que há uma grande probabilidade de que a economia venha a crescer ainda menos do que o esperado: “a combinação de riscos identificados em torno das projeções traduz-se numa probabilidade significativa de a evolução da atividade económica e dos preços ser inferior à projetada”, lê-se no comunicado enviado pelo Banco de Portugal.

E que riscos são estes? Do lado internacional, o que mais afetou esta previsão, é a recuperação mais lenta da economia mundial e do comércio internacional, que as tensões nos mercados financeiros internacionais se intensifiquem, o abrandamento da inflação ou o aumento dos juros da divida pública, devido à perceção dos investidores da falta de progressos na consolidação orçamental, reformas estruturais e da situação vulnerável do sistema bancário de alguns países.

No entanto, há também alertas para o desempenho interno e muitos deles dizem a áreas de atuação do Governo. O Banco de Portugal considera que há risco de “serem necessárias medidas adicionais para cumprir os objetivos orçamentais assumidos”, a “perda de dinamismo do processo de reformas estruturais ter impacto sobre a confiança dos empresários e sobre a recuperação do investimento”, que tanto tem sido destacado como fundamental para o crescimento da economia portuguesas — inclusivamente pelo ministro das Finanças — e a permanência de riscos sobre a estabilidade financeira, numa altura em que muito se fala da necessidade de mais capital da Caixa Geral de Depósitos e das quedas sucessivas em bolsa do BCP, com a queda do BES e do Banif como pano de fundo nos últimos dois anos.