O Banco Mundial (BM) reduziu esta quarta-feira a previsão de crescimento económico para Angola para 0,9% em 2016, o valor mais baixo de todas as previsões já avançadas pelas instituições internacionais, no seguimento da crise petrolífera.

De acordo com a atualização do relatório “Perspetivas Económicas Globais”, divulgado na terça-feira à noite em Washington, a terceira maior economia africana e o maior produtor de petróleo da África subsaariana vai ter um crescimento económico de 0,9% este ano e de 3,1% em 2017, o que representa uma revisão de 2,4 e de 0,7 pontos percentuais relativamente às estimativas do relatório de janeiro.

A revisão em baixa das previsões de crescimento económico para Angola surge enquadrada nas alterações que o BM fez às estimativas para o resto do mundo, argumentando que o fraco crescimento das economias desenvolvidas, os baixos preços das matérias-primas e os menores fluxos de capital vão abrandar a expansão económica mundial, de 2,9% previstos em janeiro, para 2,4% agora.

O crescimento económico é o principal motor da redução da pobreza e, por isso, estamos muito preocupados por o crescimento estar a diminuir de forma aguda nos mercados emergentes exportadores de matérias-primas devido aos baixos preços”, escreve no relatório o presidente do BM, Jim Yong Kim.

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O Banco Mundial considera agora que, em 2016, o preço médio do barril de petróleo será de 41 dólares, abaixo dos 51 dólares antecipados há seis meses.

Em 2018, Angola deverá acelerar para 3,4%, diz o BM, notando que as “políticas restritivas avançadas para ajustar a despesa aos preços das matérias-primas estão a ter um impacto na procura interna”, o que agrava a conjuntura económica.

Muitos exportadores de petróleo, como Angola, Nigéria ou Venezuela, “estão a debater-se com uma deterioração muito rápida da balança corrente, pressões sobre as moedas e com as receitas fiscais a caírem”, lê-se no relatório do BM, que dá ainda conta de um agravamento das condições de crédito.

“Os preços persistentemente baixos das matérias-primas exerceram pressões sobre as moedas dos exportadores, aumentando o valor da sua dívida pública denominada em moeda estrangeira”, o que resultou na ida aos mercados por parte de vários países no ano passado, como por exemplo Angola, Moçambique e a Zâmbia.

Estes países “enfrentam riscos de refinanciamento e de taxas de câmbio significativos, que são enquadrados pelo aumento das taxas de juro da dívida soberana”, concluiu o BM.