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Hyeongsoo Kim, biólogo norte-coreano, conseguiu sair do país e fugir para a Coreia do Sul. Ao jornal espanhol ABC conta o que se passava no laboratório secreto onde trabalhava e onde se estudavam maneiras de aumentar a longevidade dos líderes do país desde Kim Il-sung.

O biólogo conta que tudo era envolvido no maior secretismo e que os trabalhadores estavam expressamente proibidos de comentar qualquer aspeto da sua vida profissional com qualquer pessoa externa ao serviço. Quem o fizesse, como aconteceu com um colega seu, era executado e a sua família banida.

O trabalho incluía analisar os mais diversos alimentos e até encontrar produtos que melhorem a performance sexual. Após terem descoberto que óleos extraídos duma rã que vive no norte do país melhoram o vigor sexual, as autoridades ofereciam um quilo de arroz a quem apanhasse um exemplar da espécie. Num país onde muita gente morre de fome, um quilo de arroz era um prémio tão apetecível que chegaram a ter mais de 20.000 rãs nas instalações.

Arranjar cobaias para estudar problemas de excesso de peso, problema que afeta a dinastia Kim, é difícil num país onde a larga maioria da população está subnutrida. Para esse efeito, os objetos de estudo eram estudantes da escola Kim Jong-il, uma escola na capital onde são formados os altos oficiais do regime. Quem se recusar a participar nas experiências é afastado dos estudos.

O regime em vigor dificulta o acesso à informação e torna impossível confirmar este tipo de histórias, que só chegam que quem consegue escapar do país. No entanto, o relato de Hyeongsoo Kim está em linha com o que contam os cerca de 29.000 pessoas que conseguiram escapar do país e vivem hoje em dia na Coreia do Sul.

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