“Missão cumprida”. A quinta edição da Lisbon Investment Summit (LIS) — conferência de empreendedorismo dedicada à promoção do investimento e de startups europeias, organizada pela Beta-i em Lisboa — encerrou esta quarta-feira. Ao Observador, o presidente da Beta-i, Pedro Rocha Vieira, diz que esta edição ficou marcada por “uma grande adesão dos investidores internacionais e das startups” e garante que o evento “é para continuar”.

Este já é um evento muito internacional, que tem uma lógica inclusiva e verdadeiramente representativa do ecossistema empreendedor [português]. Quando se diz que este sistema tem de ser liderado pelos players, pelos empreendedores, nós [Beta-i] temos estado a lutar por isso. Fazemos isto com grande preocupação e carinho pelos empreendedores, por todos os parceiros. E o que muitos me disseram é que na LIS o ambiente é propício a conversas, a networking [criação de redes de contactos]”, acrescentou Pedro Rocha Vieira.

Durante dois dias, empreendedores, startups e investidores de toda a Europa juntaram-se na Academia das Ciências, em Lisboa, para promover o investimento em empresas tecnológicas — sobretudo nas fases seed e early stage, ou seja, as fases iniciais no desenvolvimento destas empresas.

Ao todo, estiveram presentes cerca de 80 oradores e mais de 100 investidores, incluindo representantes de empresas como a Farfetch, Skype, Groupon e Transferwise. Juntaram-se ainda nomes como os de Eze Vidra, ex-General Partner da Google Ventures — que veio ao evento na condição de investidor privado —, Saul Klein, cofundador de empresas como a Lovefilm Internacional (adquirida pela Amazon), Seedcamp e Kano, e o head of tech da Zalando, Marc Lamik, entre muitos outros.

“Vão ser tempos difíceis, duros”

O balanço positivo desta edição não torna, contudo, mais fácil a tarefa de organizar a LIS 2017. Pedro Rocha Vieira explica que a vinda da Web Summit para o país “reforça o posicionamento de Lisboa como região tecnológica e ajuda a que mais facilmente Lisboa esteja na mente destas redes [de empreendedores e investidores], a que seja vista como uma referência em tecnologia de ponta, como hub de destino de investidores e empreendedores globais”. Mas sublinha que os desafios para o futuro são grandes: tanto para a Lisbon Investment Summit como para o ecossistema empreendedor nacional no seu todo.

Os desafios do futuro vão ser muito grandes. Este vai ser um ano eventualmente de alguns dissabores, das primeiras falências, dos fracassos. Vamos ter de lidar com isso, o ecossistema vai ter que ter resiliência para se encontrar, para se reinventar e ajustar aos desafios. A LIS sempre tentou ter uma agenda ajustada a essa realidade. No próximo ano, vai haver cada vez mais pessoas com grande qualidade envolvidas para que Lisboa e Portugal possam ter cada vez mais um ecossistema de referência internacional. Mas vão ser tempos difíceis, duros, porque é difícil manter o nível de dinamismo quando as coisas já não são novidade”, explica o presidente da Beta-i.

Esta quarta-feira, o evento contou com a presença do primeiro-ministro, António Costa, que sublinhou a importância do empreendedorismo para a economia portuguesa, para a criação de emprego de qualidade em Portugal e para a promoção do emprego qualificado no país. O Governo está empenhado em tornar Portugal “o país mais acolhedor e amigo do empreendedorismo” da Europa, disse o primeiro-ministro, repetindo o desejo que tinha manifestado na apresentação do programa Startup Portugal, esta segunda-feira.

Também presentes estiveram o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Fernando Medina, o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, e o Comissário Europeu da Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, que encerrou a conferência deixando um conselho aos empreendedores: “Se não souberem trabalhar com o poder político, não vão conseguir alavancar” os negócios, até porque muitos deles entram em indústrias que já estão “semi-reguladas”.

No futuro, teremos de trabalhar juntos. Porque a tecnologia avança a um ritmo muito rápido e a política a um ritmo muito lento. Os governantes demoram anos a criar leis e, quando as criam, os produtos [que quiseram regulamentar] já não existem”, afirmou o comissário.

Lembrando que a inovação “não depende apenas do aspeto central dos negócios, mas das intersecções”, Carlos Moedas considerou a “coragem” como um aspeto que define qualquer empreendedor. Quem empreende, diz, tem “um caráter obsessivo, uma paixão fortíssima e uma preserverança enorme”, capaz de continuar mesmo quando “outras pessoas acham que as coisas vão correr mal”.