As autoridades angolanas já contabilizaram mais de 3.000 elefantes, apenas no Cuando Cubango, província no sul do país onde começou a inventariação da espécie no âmbito do Plano de Ação Nacional do Elefante.

Os números, que resultam do levantamento iniciado no final de 2015, foram divulgados pelo Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação de Angola, no âmbito das comemorações internacionais do dia do Ambiente (05 de junho), este ano centradas em Luanda e que terminaram na terça-feira.

Contudo, segundo o diretor daquele instituto, Abias Huongo, dado tratar-se de uma região de transumância, não é possível definir com clareza se “todos os elefantes contabilizados são de Angola ou de países vizinhos”.

A proteção do elefante e o combate ao tráfico de marfim foram os principais destaques das comemorações do dia do Ambiente em Angola, organizadas pelo Governo angolano em conjunto com o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA).

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Angola tem 162.642 quilómetros quadrados de áreas protegidas, o que corresponde a 13 por cento do território nacional, entre parques nacionais e regionais, reservas naturais integrais e parciais. Segundo Abias Huongo, para reforçar a vigilância contra a caça furtiva nestas áreas está a ser preparada a aquisição de equipamentos eletrónicos.

Além disso, o habitat natural dos elefantes continua a ser invadido com novas aldeias, estradas ou fazendas agropecuárias, gerando conflitos e acidentes em várias zonas do país, como na província do Cuanza Norte, reconhece o Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação de Angola.

As comemorações do dia mundial do Ambiente de 2016 tiveram como tema central a luta contra a venda ilegal de animais selvagens, problema que em Angola afeta nomeadamente o elefante e se faz sentir também com as redes internacionais de tráfico de marfim.

Nesse sentido, o Ministério do Ambiente encerrou no sábado, em Luanda, as 44 bancas de marfim do mercado de artesanato do Benfica, considerado um dos maiores espaços de venda do género em África, com mais de uma centena de vendedores, e anunciou a queima de toneladas de dentes e peças de marfim, apreendidas em operações policiais em todo o país.

Uma nota do Ministério do Ambiente angolano explica que a medida é adotada em cumprimento do disposto na Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), que está em vigor desde janeiro de 2014.

Mais de 100 mil elefantes foram mortos de 2010 a 2012 no continente africano, numa população estimada em menos de 500 mil animais, segundo números divulgados durante as comemorações do dia do Ambiente, em Angola, pela diretora regional para África do PNUA, Juliette Biao Koudenoukpo.